UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÃ
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS
DEPARTAMENTO DE LETRAS
DISCIPLINA: LINGUAGEM E SOCIEDADE
ALUNO: CLÃUDIO CARVALHO FERNANDES
ANÃLISE DE DISCURSO
UFPI
Teresina – 2002
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÃ
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS
DEPARTAMENTO DE LETRAS
DISCIPLINA: LINGUAGEM E SOCIEDADE
ALUNO: CLÃUDIO CARVALHO FERNANDES
ANÃLISE DE DISCURSO
UFPI
Teresina – 2002
SUMÃRIO
INTRODUÇÃO
1 – DISCURSO, HISTÓRIA, MEMÓRIA: FIGURAS EM MOVIMENTO 06
CONCLUSÃO
SINOPSE
O presente trabalho estuda a relação entre diversos textos segundo a concepção ideológica que os fundamenta como construções linguÃsticas sociohistoricamente localizadas, na determinação de sua semântica discursiva de acordo com o enfoque da análise de discursos dependente do contexto, crÃtica e explicativa, que trabalha comparativamente, usando um conceito de ideologia ao lado do de discurso e utilizando ainda como instrumento metodológico as marcas formais da superfÃcie textual.
INTRODUÇÃO
Este estudo trata da comparação da semântica discursiva entre diversos textos (de propaganda comercial, literário e o equivalente a texto de “opiniãoâ€) tornados públicos, e objetiva justamente identificar a(s) concepção(ões) ideológica(s) subjacente(s) na linguagem em utilização na prática comunicacional de uso generalizado a que as pessoas estão expostas em seu cotidiano, para que, situando-se tal(is) concepção(ões), seja possÃvel munir-se de um aparato crÃtico que permita a atuação consciente junto à s dimensões funcionais permeadas por tal(is) ideologia(s). Nesse sentido, sua evolução parte do aspecto das pistas materiais encontradas na superfÃcie dos textos analisados, pretendendo-se, assim, obter informações das respectivas práticas socioculturais geradoras, na mistura de linguagem verbal e imagem que os constituem.
O trabalho constou da leitura da bibliografia adiante elencada, análise dos textos em referência e confrontação das perspectivas envolvidas, além das anotações em sala de aulas.
Os textos estudados são apresentados na ordem em que foram dados a conhecer, sendo o primeiro uma propaganda de bebida alcoólica, o segundo mostrando uma fábula e o terceiro, um texto de revista de circulação nacional. A análise de cada um é realizada separadamente e ao final sintetizam-se os seus pontos de convergência e a respectiva prática ideológica que os informa.
É relevante o estudo das formações discursivas para a perfeita compreensão dos textos possÃveis como parte das práticas lingüÃsticas que tratam da produção e reprodução dos sentidos sociais na comunidade. Importa perceber os discursos tanto em sua determinação pelo contexto sociohistórico quanto como aspectos constitutivos de tal contexto, para melhor tratar suas implicações polÃtico-ideológicas segundo um ponto de vista crÃtico que se intencione conseqüente no desenvolvimento das ações visando transformações sociais.
1. DISCURSO, HISTÓRIA, MEMÓRIA: FIGURAS EM MOVIMENTO
O primeiro texto, uma propaganda de bebida alcoólica, trabalha com a associação entre imagem e legenda, concentrando, dentro do quadro de um rebanho de ovelhas, o foco em um dos elementos, que, visto através do prisma “revelador†do produto, aparece como uma singularidade em tal conjunto, imagem esta reforçada pelas palavras que apresentam a marca da bebida. O discurso que aà está a construir-se diz respeito à tendência individualizadora, de se personalizar existencialmente, marcando sua presença de forma indelével, em oposição ao aspecto massificador que estaria transformando os demais componentes do grupo em seres passivos, inofensivos (disforia), sem as qualidades que a valoração eufórica então emprestaria à figura do ser: agressivo, astuto, tenaz, de acentuada sagacidade, enfim, um ser positivado em relação aos outros, o que, por si só, já seria o veÃculo dessa “pura emoçãoâ€, de se constituir assim como elemento diferenciado e diferenciador, que teria o dom de determinar as possibilidades suas e alheias. Neste caso o texto transita do literalmente figurativo para o temático, compondo-se de ambos, uma vez que toda a imagem é antecipada pela frase-tema do produto.
Já o texto seguinte, uma fábula de La Fontaine, é tipicamente um texto figurativo, que opera através da inversão de perspectivas no aspecto das valorações: valoração negativa das qualidades de um elemento comum, o lobo. Aqui, tal ser mostra-se como sinônimo de maldade, arrogância, predomÃnio da força bruta contra os demais. É possÃvel dizer-se, por inferência, que o que informa tal texto é também justamente a perspectiva contrária à do texto anterior: uma extensão da moral da fábula poderia ser a idéia de que, se “contra a força não há argumentosâ€, a única alternativa viável contra essa mesma força seria a união dos que podem ser atingidos por ela, redundando, assim, num sentido afirmativo da coletividade face ao individualismo.
O terceiro texto é mais diretamente temático e embora não tenha uma relação explÃcita com o primeiro no nÃvel figurativo, cabe lembrar que traz à baila, pelo menos superficialmente, a famosa “lei de Gérsonâ€, de se levar vantagem em tudo, o que, de certa forma, traduz o espÃrito do individualismo sob roupagem tupiniquim. Em todo o texto parece haver uma solerte admiração pelo que seria de se esperar em relação a determinado produto. Também figuram com relevo um certo desrespeito e pedantismo de base etnocêntrica, que caracterizam tal texto como um amesquinhamento do coletivo, demonstrando forte tendência para um discurso de base individualizante, pouco voltada para o social, tanto mais que se direciona mesmo para uma parcela especÃfica da sociedade cuja marca patente tem sido o individualismo como forma de afirmação, inclusive em sua formação discursiva, de que o próprio texto é exemplo.
Os três textos, então, apresentam entre si elementos conexos, que se relacionam ora de forma disfórica ora positivamente, evidenciando-se no conjunto formado pelo primeiro e terceiro uma afirmação do individualismo como tendência discursiva da prática social contemporânea, em oposição a uma caracterização da relevância do coletivo (ou, pelo menos, de tendências não tão individualizantes) no meio do discurso fabular.
A ideologia capitalista mostra-se presente de forma marcante principalmente nos dois textos extremos, através quer seja da exacerbação do individualismo e culto à pessoa, quer seja pelo discurso consumista que permeia ambos os textos.
Numa sociedade capitalista os discursos aà elaborados tendem a reproduzir a visão de mundo da classe social dominante a respeito da realidade, pois pensamento e linguagem, apesar de distintos, são inseparáveis, e a consciência é algo eminentemente social. Logo, as formações discursivas dentro de um contexto capitalista tendem a reproduzir a respectiva formação ideológica.
CONCLUSÃO
A análise dos textos observados aponta para o fato de que o universo dos discursos produzidos numa sociedade se organiza segundo uma formação discursiva comum cujas condições sociais de produção incluem todo o processo de interação comunicacional (produção, circulação e consumo dos sentidos). Portanto, a uma dada formação discursiva corresponde a respectiva formação ideológica e como a ideologia dominante é a da classe dominante, o discurso dominante é o da classe dominante, determinado por coerções ideológicas. O discurso filtrado nos textos em questão apresenta-se composto por elementos próprios da mentalidade capitalista (individualismo, consumismo etc) e é a esta formação ideológica que se devem as práticas sociais que os respectivos textos relacionam em sua formação discursiva.
BIBLIOGRAFIA
FIORIN, José Luiz. Linguagem e Ideologia. (Texto distribuÃdo para estudo em sala de aulas.)
PINTO, José Milton. Comunicação e Discurso. São Paulo. Hacker Editores, 1999.
SINOPSE O presente trabalho estuda a relação entre diversos textos segundo a concepção ideológica que os fundamenta como construções linguÃsticas sociohistoricamente localizadas, na determinação de sua semântica discursiva de acordo com o enfoque da análise de discursos dependente do contexto, crÃtica e explicativa, que trabalha comparativamente, usando um conceito de ideologia ao lado do de discurso e utilizando ainda como instrumento metodológico as marcas formais da superfÃcie textual.
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