São 5 horas da manhã. Mais uma manhã onde o sono fica deitado, enrolado em meu lençol quente, e eu me atiro lento até o banheiro. Não me arrisco a um banho frio, jamais! Lavo meu rosto para que a água leve minha feição desgastada e a vontade de sonhar até meio-dia.
Não fui bem eu quem escolheu esse desatino, esse destino, mas a gente sabe que no fundo a culpa é toda nossa. Pensei na praia. Pensei no Poço Azul no Distrito Federal. Pensei nas vastas madrugadas em que nessa mesma hora estava feliz, acariciando o meu inseparável travesseiro... Mas agora tudo mudou... Não que seja um velório, não que seja algo tão aterrorizante, mas a ideia de deixar a noite solitária sem minha solidão e sem meus passos e pensamentos me traz uma angústia, um remorso pelos poemas que poderiam nascer no calor de uma madrugada qualquer...
cedo
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