Como superar os pequenos fascismos diários?
Peço ajuda a Roland Barthes que possui uma opinião interessante, ele diz que: fascismo não é proibir os indivíduos de fazerem algo, mas sim obrigá-los. Eu acrescentaria o seguinte: mais do que obrigar os indivíduos a fazerem algo, fascismo (o nosso, diário) é obrigá-los dando a impressão de livre escolha.
O fascismo que nos faz amar o poder, desejar esta coisa que nos domina e nos explora, essa é do meu amigo Michel Foucault. Desejamos o poder quando escolhemos “livremente” o tênis da moda, assistimos o Reality show da vez, dentre tantos outros pequenos atos de poder diários...
Um desejo de poder que nos é inscrito sub-repticiamente pela maquinaria invisível e impessoal da qual somos vítimas, porém também perpetuadores; um desejo que já era enquanto aprendíamos a ser e que foi desenhado ao mesmo tempo em que nos desenhou.
Como podemos aspirar libertarmo-nos de um mundo que é nossa imagem e semelhança? Que possui deuses a nossa imagem e semelhança?
Se escolhemos uma vida fascista, é porque ela possui o sorriso afável de deus, da bbb na capa da revista, o conforto de nossas certezas, o aval dos psicanalistas e agentes de saúde.
Amamos nossa liberdade e os locais para não fumantes, o café descafeínado, cerveja sem álcool, o sexo virtual, o cinema 3d. Somos livres para escolher, por isso vivemos em uma democracia, por isso o fascismo não existe mais, por isso toda esta minha verborragia é ininteligível.
FAscismos
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