A xÃcara de café refletia na superfÃcie escura e brumosa da bebida, a luz difusa da manhã. Os braços apoiados sobre mesa contrastava com a alvura impressionante da toalha.
Não havia coisa que pudesse ser descrita para além desta cena. Um estranho e imenso vazio. Era como uma tela negra em cujo centro projetava-se aquela composição bizarra e constrangedora.
Da mesa podia-se ver apenas a metade ocupada, a outra metade parecia ter sido apagada como se apaga um desenho qualquer usando uma borracha escolar.
Era um desenho infantil, porém caprichoso e revelador de um talento inato e ainda um pouco imaturo. Parecia feito a lápis numa técnica em que a representação principal vasa, na própria brancura do papel, em contraste com um fundo matizado. Aqui, um fundo escuro em grossas camadas de lápis de cera.
Se havia cor para lá do preto e branco eram as ranhuras que, amareladas, vestiam um corpo humano que se sobrepunha à mesa e que também fora apagado nas extremidades.
Insinuava-se um céu que não existia no desenho. Podia-se perfeitamente imaginar as estrelas brilhantes, restos de nebulosas, pequenos planetas distantes e alguns sóis com brilho intenso por trás dos panos enevoados das galáxias.
Num canto, dissimulado pela intrincada trama negra, um vulto prateado flutua como um cosmonauta à deriva no espaço infinito, rodopiando até sumir na margem próxima do papel.
Sergio, bela descrição.. vc é muito sensÃvel..
parabéns..
Abçs
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!