Da publicação e do ego.

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Carla Castellotti · Maceió, AL
25/5/2007 · 45 · 0
 

Miro saiu no jornal, uma ponta de ciúme me atacou. Porque eu não estava lá também? Mas ele estava, e isso já é bem bom. Ficamos felizes quando nossos amigos ficam felizes isso é fato e muito verdade.
“Vê se pode, a diva da literatura pop na web alagoana com ciúmes de umas marcas tipográficas no suplemento coronelista do Estado-Alagado. “(Ramirez)
Começamos um leve quebra-pau sobre a qualidade das editoras locais, ele dizendo que topava ser publicado de qualquer jeito, tipo putinha mesmo. E eu dizendo que se fosse publicada só gostaria que o fosse do meu jeito. Só que quem me publicaria? Alguém por quem eu passasse pelo teste do sofá, certamente. Um velho mecenas que gostasse dos meus lindos olhos feios?
Enfim, isso não irá acontecer agora nem muito menos desse jeito.
Chegamos enfim ao mainstream do underground. E eu não sou filha do cara que fez o Tangos e Tragédias, nem nasci em Porto Alegre, não moro na Praça Roosevelt, não sou amiga do Cuenca (apesar de ter o livro dele), muito menos fui mandada ao “Amores Expressos”. Leio sim todos eles, e adoro eles, eles foram minhas primeiras referências e depois segui na contra-mão pra entender o que faço, essas de fluxo de consciência e literatura que não se separa da vida real.
E eu quero ser publicada, a maioria dos que escrevem querem. O Miro também quer. Ser publicada não é uma obsessão, escrever é a obsessão. Ser publicado é o fim das coisas e tem que ser o final que escolhi e tem que ser do jeito que eu imagino. Caso contrário é como se eu estivesse negando aquilo que produzo, escrever tudo isso e sair por uma editora universitária que não tem designer não é nem de perto o que gostaria de fazer.
Só que o mainstream do underground não vai me publicar, eu moro em Maceió, eu não nasci em Porto Alegre, e eu não bebo com todos os intelectuais pé de cana da Praça Roosevelt. Bem que gostaria, mas eu realmente não posso cair fora simplesmente, e isso já é outra história. Mas o ego ainda é maior, e eu ainda quero ser publicada. E do meu jeito, claro. E não vejo outra forma possível, agora, a não ser independente. Independente do Independente, sacou?
O jeito é tirar uma grana, bancar a impressão, registrar em cartório uma empresa, e lançar a obra. Arranjar envelopes e nomes pra quem eu gostaria de mandar os escritos, e mesmo eu, essa católica meia-boca, rezar fervorosamente ao Santo que protege os escritores, pra quem sabe aquilo lá vingar e ser publicado direito, com direito a livraria e festa de lançamento com bebidas e música boa. Ufa.
c.

Ego pouco é bobagem

Minha cara diva, sonhas demais. Mais punk-niilismo na guerrilha literária, por favor. Devem demorar-se algumas primaveras até a tal festa de lançamento. Se até o bar bacana que abrigaria o rega-bofe fechou, como fazer nesse mato-sem-cachorro? Como se lançar no mundo do papel impresso? E ainda do “seu” jeitinho meticuloso, assim marginal?
Sinceramente, abstraí. Por isso que tô ai pro que der e vier. Me lançando com as armas vis que possuo, ou acho que possuo, sei lá. Não dá pra ficar sonhando com a CosacNaify soterrado nos escombros dessa espelunca de cidade [A BIBLIOTECA PÚBLICA É UM PARDIEIRO DESERTO, a gente até roubou um livro da Anaïs Nin de lá!]. Então eu até me submeteria a uma editora que cataventasse meus filhinhos mal diagramados por aí. Até os imagino bonitinhos lá na livraria do shopping, mas sei que é tudo meio deprimente. Porque é sonho demais pra quem se considera tão subversivo.
O lance é poder ser lido e levado pra casa. Canto de destaque na prateleira do adolescente classe média que te comprou com o dinheiro da mesada, porque tu significa algo importante pra ele. Essa sensação deve ser foda. Orgasmo editorial.
(...)

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Autoria
Carla Castellotti
&
Ramiro Ribeiro (www.poetasordido.blogspot.com)
Ficha tcnica
Carla está começando a desacreditar na universidade
Ramiro se formará em meses
Carla cada vez mais acredita em sitios que oferecem literatura mal paga e mal-acabada.
Ramiro coleciona Cia das Letras
Carla continua bebendo no boteco ao lado de casa
Ramiro morará na Pç. Roosevelt em pouco tempo
Carla assistiu club dos 5 e acha que é o Anarquista
Ramiro vai ao cinema de arte toda semana
Carla tem ataques histéricos
Ramiro foge pra montanha com banda larga, músicas e vodca boa.

Carla e Ramiro são amigos e se dão bem demais.
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