Caminhava a passos curtos e rápidos, devia-se este reduzido e preocupado caminhar, àquele espaço em que habitava, um pequeno quarto de seis metros quadrados nas cercanias da cidade.
Ao lado enfrente a porta, uma pequena mesa onde estaria disposto um fogão de uma boca.
Num dos cantos da mesa, empilhados, minguados utensÃlios e provimentos, servindo como o mÃnimo para a sobrevivência de uma pessoa.
Ouviu passos no corredor, o ecoar daqueles passos acelerou-lhe as batidas cardÃacas, falta de ar, grande dor no peito, sentiu faltar-lhe as pernas, seus poros fizeram o suor ensopar suas vestes, os olhos com as pupilas dilatadas delatavam um rosto deformado pelo pavor.
São eles, pensou... .
Naquele momento, acreditou, seria melhor a morte.
Qualquer coisa seria melhor do que aquilo que o esperava, até a morte poderia ser uma saÃda viável.
Pensou no olhar das pessoas que o aguardavam la fora. Ele não aguentaria olhar aqueles olhares.
Olhares poderiam ser a sÃntese de todo o inferno a tempos proclamado. Pensava nos olhares como sendo o próprio inferno.
A movimentação no corredor cessou.
Aos poucos foi retornando ao estado inicial com a taquicardia diminuindo a frequência, porém a dor no peito continuou. Agora sentara aos pés da cama.
Era assim ultimamente, ao menor ruido la fora via-se atacado de desespero.
Seis anos vivendo naquela angustia, perdera a conta de quantas vezes sofrera aqueles ataques.
Incontáveis as noites de insônia.
Não entendia porque estaria sendo penalizado daquela forma, vivia constantemente a sensação de ter duas coleiras de aço nos pulsos e outra no pescoço. Esta sensação chegava a deixa-lo sem fala, travava-lhe a lÃngua.
Porque estaria sendo torturado assim?
Justamente ele. Ele sempre respeitara todos os dogmas, levava a risca todas as parábolas.
Assim dizia Lucas. “Tratais todos os homens como quererÃeis que eles vos tratassemâ€. Estas palavras reverberavam no seu cérebro. Assim ele fizera...
"O saber, quando não humaniza, deprava. Refina o crime e torna mais degradante a covardiaâ€.(Mikhail Bakunin).
"O saber, quando não humaniza, deprava. Refina o crime e torna mais degradante a covardiaâ€.(Mikhail Bakunin).
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