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Dogmas

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Vilorblue · Colombo, PR
8/11/2010 · 1 · 0
 

Caminhava a passos curtos e rápidos, devia-se este reduzido e preocupado caminhar, àquele espaço em que habitava, um pequeno quarto de seis metros quadrados nas cercanias da cidade.
Ao lado enfrente a porta, uma pequena mesa onde estaria disposto um fogão de uma boca.
Num dos cantos da mesa, empilhados, minguados utensílios e provimentos, servindo como o mínimo para a sobrevivência de uma pessoa.
Ouviu passos no corredor, o ecoar daqueles passos acelerou-lhe as batidas cardíacas, falta de ar, grande dor no peito, sentiu faltar-lhe as pernas, seus poros fizeram o suor ensopar suas vestes, os olhos com as pupilas dilatadas delatavam um rosto deformado pelo pavor.
São eles, pensou... .
Naquele momento, acreditou, seria melhor a morte.
Qualquer coisa seria melhor do que aquilo que o esperava, até a morte poderia ser uma saída viável.
Pensou no olhar das pessoas que o aguardavam la fora. Ele não aguentaria olhar aqueles olhares.
Olhares poderiam ser a síntese de todo o inferno a tempos proclamado. Pensava nos olhares como sendo o próprio inferno.
A movimentação no corredor cessou.
Aos poucos foi retornando ao estado inicial com a taquicardia diminuindo a frequência, porém a dor no peito continuou. Agora sentara aos pés da cama.
Era assim ultimamente, ao menor ruido la fora via-se atacado de desespero.
Seis anos vivendo naquela angustia, perdera a conta de quantas vezes sofrera aqueles ataques.
Incontáveis as noites de insônia.
Não entendia porque estaria sendo penalizado daquela forma, vivia constantemente a sensação de ter duas coleiras de aço nos pulsos e outra no pescoço. Esta sensação chegava a deixa-lo sem fala, travava-lhe a língua.
Porque estaria sendo torturado assim?
Justamente ele. Ele sempre respeitara todos os dogmas, levava a risca todas as parábolas.
Assim dizia Lucas. “Tratais todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem”. Estas palavras reverberavam no seu cérebro. Assim ele fizera...

"O saber, quando não humaniza, deprava. Refina o crime e torna mais degradante a covardia”.(Mikhail Bakunin).

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"O saber, quando não humaniza, deprava. Refina o crime e torna mais degradante a covardia”.(Mikhail Bakunin).

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