PLANO DE MORTE EM VIDA

dominio publico
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João Drummond · Sete Lagoas, MG
26/1/2010 · 1 · 1
 


Estudar, trabalhar, viver por um emprego fixo, uma aposentadoria segura, um futuro garantido, e uma velhice tranqüila.
Acumular bens, ostentar riqueza, poder e falsa estabilidade. Atravessar os anos assimilando conhecimento alheio, sem questionar, sem confrontar ou desenvolver idéias próprias.
Esta é a formula de uma vida sem paixões nem riscos, onde o barro de nossa essência é amassado e convertido por regras alheias em um monte de matéria disforme, sem alma.
Incapazes de saltos ousados, seguimos convertidos à seita do sucesso banal e medíocre.
Vivendo a vida como gados no pasto, se satisfazendo com farta e suculenta grama.
Lutar uma luta inglória pela conquista de amontoado de pedras, paus, tintas, papeis e tralhas eletrônicas.
Nossa ultima cidadela é um castelo de areia construído para defender nossos egos inchados e empedernidos, nossa natureza egocêntrica e sectária.
Nossa incapacidade é de lutar uma luta justa pela prosperidade de nossos talentos e habilidades distintas.
Buscar reconhecimento precário em honrarias e medalhas, pela bajulação desmedida, que nos corrompe o espírito e nos coloca embevecidos pelo elogio falso e precoce.
Ocupar páginas de jornais e colunas pagas por interesse mesquinhos.
Sepultar nossos sonhos de uma vida plena de criação em troca do tumulo seguro e inviolável do lugar comum e das certezas totais.
Embarcar na “nau sem rumo” da lógica maciça e monolítica do pensamento mundano e materialista.
Caminhar passivamente como gado conformista em direção ao abismo da máxima consumista e do lugar comum.
Tornar-se produtivo, como peça inexorável de uma linha de produção maquinal e desumana.
Isto está o mais próximo possível do que podemos conceber como morte em vida.

João Drummond


Sobre a obra

Viver uma vida banal e sem paixão é morrer um pouco a cada dia.

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Autoria
João Batista Drummond
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Cintia Thome
 

Realmente, estamos cada vez mais sozinhos, andantes , sem ver rostos, caminhando para o bem estar mas sem poder ter tempo para ter amizades...Estamos cada vez mais isolados em nossos problemas diários...loucura.

Parabens pelo texto.
ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 24/1/2010 15:20
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