Políticas Públicas Para Imigrantes Brasileiros em Yaizu - Shizuoka - Japão

Roberto Maxwell
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Roberto Maxwell · Japão , WW
9/4/2007 · 222 · 1
 

De acordo com o Ministério da Justiça japonês, 286.557 brasileiros estavam registrados como residentes no Japão no final de 2004. Pouco menos de 20 anos antes, esse número não passava de 1.995. O fluxo dekassegui, como é conhecido no Brasil o movimento migratório de descendentes de japoneses para a Terra do Sol Nascente, não pode ser entendido fora do contexto das migrações internacionais contemporâneas. Por outro lado, sua especificidade não podem ser ignorada. Primeiramente por tratar-se de um fluxo de retorno. Não do proclamado retorno do imigrante em si, embora isso tenha ocorrido em alguns casos, mas do retorno de um grupo étnico (ou dos descendentes deste grupo). Também é destacável a situação de legalidade que envolve o fluxo. Para os descendentes de japoneses até a terceira geração e seus cônjuges, o visto é concedido mediante a comprovação dos laços co-sangüíneos e relacionais exigidos. Aliás, seria exatamente esta a terceira característica peculiar desse fluxo migratório: a concessão do direito à entrada e permanência vinculada a um laço étnico e/ou familiar. Inicialmente, o movimento dekassegui tinha uma outra peculiaridade no seio dos movimentos migratórios internacionais: a estadia relativamente curta do migrante fruto da facilidade de circulação provocada pela escassez de mão-de-obra — através do financiamento dos custos de transporte por parte dos empregadores — para cruzar a enorme distância física entre Brasil e Japão. No entanto, os problemas sócio-econômicos do Brasil, dentre outros fatores, produziram um migrante permanentemente temporário, ou seja, alguém para quem as portas do Brasil e do Japão estão sempre abertas, permitindo uma livre circulação que cria uma ‘expectativa do retorno’ — ou produz esta experiência, mesmo que de forma temporária — tornando a fixação do migrante um fato aparentemente ‘acidental’.

A realidade é que, de forma planejada ou não, o imigrante brasileiro está fortemente presente na sociedade japonesa, em particular em alguns setores da economia do país. No entanto, essa temporariedade presumida gera uma série de confrontos de interesses entre migrante e nativo, governo e sociedade, capital e trabalho que estouram em situações-limite que colocam em xeque uma sociedade para a qual o controle — da natureza, do ser social, do indivíduo por si próprio — é umas das mais prezadas características.

Este estudo foi realizado no sentido de discutir a questão do movimento dekassegui a partir de um olhar nas políticas públicas para imigrantes brasileiros na cidade de Yaizu, província de Shizuoka, Japão. Foram realizadas entrevistas com os trabalhadores brasileiros da cidade, num total de 69 questionários, e vivências de campo com o intuito de montar um perfil desse grupo de migrantes. Em seguida, foram elencadas as políticas públicas elaboradas pela municipalidade de Yaizu no sentido de atender às demandas dos imigrantes brasileiros. Por fim, uma análise foi elaborada relacionando os dados da pesquisa e os oficiais.

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Autoria
Roberto Pires Jr.
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Saulo Frauches
 

Acabei de baixar - e, lógico, não deu pra ler tudo de uma vez. Mas só de ver a quantidade de dados, estatísticas e registros históricos levantados já me deixou impressionado. Parabéns pela iniciativa!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 9/4/2007 16:34
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