Sempre fomos politicamente corretos

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Paulo Avelino · Fortaleza, CE
19/2/2012 · 0 · 1
 

Conhece a última piada de Eike Batista? Seguinte: o Eike (o bilionário de tudo) e o Abílio Diniz (idem) estavam na rua, altas horas. Aí o Eike disse:

- Ô Abílio, essa é uma casa de forró. Estou doido para dançar um forró! Vamos lá!

- Mas está fechada, Eike!

- Não tem problema. Eu sou ou não sou o Eike Batista? Acorda o dono! Esse forró tem que balançar!

Você conhece essa piada? Nem eu. Nem ninguém conhece piadas sobre Eike, sobre Abílio, sobre grandes empreiteiros. Ou donos de bancos. Ou especuladores de terras. Com eles somos sempre respeitosos. Com milionários não se brinca.

Considerava que o politicamente correto, ou a restrições a piadas contra negros, deficientes, homossexuais, etc., era o fim do humor, da espontaneidade. O filósofo Renato Janine Ribeiro me fez olhar a questão de novo. Somos espontâneos em humilhar quem é fraco. Curioso, nossa espontaneidade nunca se volta para humilhar o forte. Será que nossa espontaneidade é assim tão espontânea?

O politicamente correto pode nada mais ser que a extensão ao pobre, ao negro, ao deficiente, de um direito que os poderosos sempre tiveram.

Talvez não seja algo então assim tão negativo.

(Para não deixar a piada sem final: o dono do lugar acorda, estremunhando, e informa à dupla que aquilo não é casa de forró, e sim uma loja de FORROS e gesso. Essa piada se contava contra dois políticos populares que se diziam de esquerda. Ninguém pensaria em direcioná-la contra dois milionários).

Sobre a obra

Sempre fomos deferentes para com os milionários. O politicamente correto pode estender esse privilégio.

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Paulo Avelino
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Doroni Hilgenberg
 

Mas eu acho que quando os milionários dão margem, eles estão sujeitos as piadinhas de mau gosto sim. As pessoas só são respeitadas quando se dão ao respeito. Mas concordo também que há muita humilhação gratuita. bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 17/2/2012 20:51
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