Um TOC hilariante

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Simone M. e Mendes · Maceió, AL
15/2/2011 · 0 · 0
 

Não seria Eloi um insano institucionalizado, pois inteiramente socializado e socializador. Não conviria atribuir-lhe rótulos, até mesmo porque suas psicopatologias são tais quais aquilo que se pode enxergar através de um caleidoscópio. Ele é mesmo multifacetado, certamente incognoscível, inominado.

Eloi não surpreendia por seus agires inteligentes, objetivos, pertinentes. Todavia, não tão infreqüentes eram suas as aparições com comportamentos bizarros, prolixos, desarrazoados, retrógrados, inflexíveis, alienados, que, não fossem por suas imensuráveis virtudes, seu humor contagiante, irreverente, dificilmente sairiam impunes, fossem no recôndito do seu lar ou no convívio social, sendo este praticamente adstrito aos seres que o prezam, de modo que não lhe ameaça a perda dos afetos.

Algumas bizarrices são mesmo atávicas e o mundo onde circunda as define como na contramão do senso comum. Procurara Eloi um Psiquiatra e a ele narrou suas maneiras de proceder. Mostrara-lhe, inclusive, no risque-rabisque disposto sobre seu birô, como escreve o numeral um (1), desenhando-o e fazendo-lhe o arremate com uma tampa de caneta, no papel de régua, a fim de que o traço desse numeral não ficasse torto. Relatara-lhe, ainda, uma amostra de suas manias, como a de não tolerar sapatos desalinhados, quadros e tapetes tortos. O especialista franzira o cenho, coçara a cabeça, para, então, concluir: “você tem transtorno obsessivo compulsivo, o famoso TOC”. Eloi, por intermédio das diversas mídias, já tivera esse vislumbre, mas agora estaria ele com o diagnóstico confirmado por quem dispunha de autoridade para tal.

O TOC de Eloi poderia ser redefinido como TOCH – Transtorno Obsessivo Compulsivo Hilariante. Portanto, dele, muitas histórias inconvencionais, mas extratoras de homéricas e loquazes gargalhadas, já advieram. Eloi não come biscoito/bolacha, castanha, amendoim e outros alimentos que não estejam completamente inteiros, não os come, ademais, se forem em número ímpar. Inconformado com isso, em dada circunstância, o “coleguinha” Dudu interviera: “Eloi, meu camarada, hoje você vai sair daqui curado” – introduzira na boca de Eloi um punhado de castanhas, sem dar chance para que este pudesse separar as inteiras das quebradas ou verificar se em número par ou ímpar.

Certo dia, estava ele com a esposa numa elegante padaria/conveniência e pedira que lhe fossem servidas seis margaridas (salgadinho de queijo). O garçom quis saber se poderiam ser 140g. Claro! Respondera-lhe Eloi. Enquanto não lhe chegava o pedido, indagara, porém, à sua esposa se 140g dariam quantidade par ou ímpar das tais margaridas. Ooooh! Eloi! Você não estava se curando dessas loucuras? Estou chegando lá, dissera-lhe ele. Mas qual nada, Eloi fez mesmo com que a esposa comesse as margaridas que quisesse, desde que as que ficassem para ele fossem em número par. O TOC estava vivo, meu Deus!

Simone Moura e Mendes
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Simone Moura e Mendes
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