A água é o princípio de todas as coisas

Sinvaline
Vista Lago Serra da Mesa
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Sinvaline · Uruaçu, GO
22/3/2012 · 0 · 0
 

"A água é o princípio de todas as coisas." (Tales de Mileto)

A água é o bem mais precioso da terra, sem ela não há nenhuma espécie de vida. O indígena que é de um cultura milenar sabe e tem consciencia desse valor. Convivi com etnias que consideram a agua como seu Deus e ela é respeitada como tal.

Uma passagem bíblica diz que antes de existir a Terra o Espirito de Deus pairava sobre as águas.

O capitalismo fechou os olhos e o pensamento da civilização atual levando a uma cultura de produção que a cada dia mais leva a escassez da água.

Sem agua não há vida, só tristeza, doenças e até grandes epidemias.

O Brasil que é um paraiso das aguas doces ainda nao tem uma politica séria de cuidados com a água. Os grandes mananciais são destruidos pelas construções, lixos e outros interesses momentaneos.

Construçoes e mais construções de hidreletricas formam enormes reservatórios se tornam depósitos de lixo.

A lei não é cumprida, existe multa para quem polui a água só no papel, a realidade é outra muito triste.

Cito aqui o exemplo do Lago de Serra da Mesa e num momento de reflexão escrevi esse texto:

LAGO SERRA DA MESA

Tarde nublada, o pensamento vai até onde os olhos alcançam, as palmeiras secas sobressaem. O lago enorme, parado, muito quieto, é o 3.o maior lago artificial do mundo.

É tanta água que impressiona: o homem desafiou a natureza, juntou os rios e construiu o lago de 1784 km2 . As árvores secas não mais brotarão, a água matou suas raízes. Agora os pescadores depredam tudo, sem pensar no amanhã...

Dentro do lago ficaram escondidas as casas, as árvores e os sonhos de muitos... O homem afundou a mão, represou os rios, forçou a natureza, as águas invadiram o cerrado e o lago existe.

A água do mundo está se acabando, o lago é uma grande reserva.

O equilíbrio é precário, olhando as águas a vida parece eterna, mas não é. Só a natureza segue seu curso impecavelmente, revolta às ações dos homens.

Tem muito peixe, os pescadores montam as redes, o lixo acumulado às margens dá uma sensação de fim. Os bichos andam escondendo dos tiros que ecoam em toda a extensão assustando as capivaras que pulam na água fazendo um barulho ensurdecedor.

De vez em quando desce um fiscal pega uma rede, multa alguém e vai embora, a extensão é grande, não conseguem acompanhar a depredação.

O grito dos ecologistas invade a ação dos pescadores e dos caçadores que é maior...

O ronco dos motores das lanchas rasgam o silêncio e mesmo assim os pássaros cantam alegres, os sons se juntam...

As árvores secas , a água turva, o monte de lixo, os tiros, as redes, o barulho dos motores , os gritos dos pássaros me fazem chorar...

É só uma lágrima , mais uma gota d'água na imensidão...

Fica um apelo no grito do pato pescador, das garças que voam nos galhos secos, do veadinho que tenta beber água rapidamente para não ser visto, das capivaras que pulam na água se escondendo...

Fica um apelo nessa dor que rasga o peito, que insiste em dizer que a água é o bem mais importante do mundo, que se não fizer algo essa enorme represa será amanhã somente um amontoado de lixo e tristeza, um desalento profundo, é como um pássaro a que abriram a gaiola e já não sabe mais voar...


Pescadores se vão cheios de peixes, querem esvaziar o lago. Lago imenso, forçado, é o homem desafiando as leis naturais e por enquanto impera. E assim continua a vida às margens do lago cheio de vida, que luta para sobreviver, indefeso ante à ação dos homens inconscientes que não sabem que estão matando a própria vida...

O cachorro que bebe a água não sabe do dia de hoje, da poluição das margens, só sabe que tem sede. O homem que coloca a rede não sabe que depreda, só sabe que quer peixe.

Essa dor continua e balança o peito como a onda que o barco fez, as garças voam apressadas , já esta escurecendo. A extensão me é enorme diante dos olhos, finco os pés no chão e tento ser forte... O vento varre os pensamentos leva a esperança de um amanha melhor...

Nasceu uma prece:

Deus, ensina-me a apreciar a vida, a ser humilde e aceitar tudo como é... (o que às vezes é impossível), me dê a força e a sintonia das ondas. Que eu ouça o som dos ventos e tenha a sagacidade das formigas, que seja humana e não critique nunca, que seja forte como o animal que insiste na vida apesar do perigo, e sensível como a flor que sobrevive na madeira flutuante... que meu barco siga nesse mar enorme e tenha a fé do lavrador que tira o chapéu em continência ao por do sol, que aprenda a preservar a vida e, acima de tudo que tenha essa paz das grandes águas paradas...

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