A favela sabe o que quer

Mídia Livre
A caminho do Capão Redondo
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Fernanda Quevêdo · Porto Alegre, RS
16/12/2012 · 12 · 0
 

Quando o assunto é comunicação da/para Favela o debate é sempre intenso e estimulante. Não foi diferente do debate que rolou nesta tarde na Agência Solano Trindade, no Capão Redondo, em São Paulo. O debate foi impulsionado pela Agência Solano Trindade dentro da programação do Preliminares.

A favela sabe o que quer, e esta correndo atrás do prejuízo que lhe foi causado com todo o processo de exclusão que as cidades vem enfrentando desde o século XX. E uma das disputas que precisa fazer é a de narrativa sobre si mesma.

As favelas em todo o Brasil tem se ressignificado durante os últimos anos, em especial pela ampliação do acesso a bens e produtos sociais que ela própria ajuda a erguer todos os dias. O acesso à cultura e suas diversas linguagens estão cada vez mais disponíveis, ainda que em uma escala aquém da demanda.

Por outro lado, pode-se perceber investimento federal em ações e projetos sociais, como os Pontos de Cultura por exemplo e em alguns assistencialistas.

A mídia de massa, bem como o Estado já perceberam o valor destes espaços, tanto que tentam ocupa-lo e toma-lo de assalto. As estratégias de iniciativa privada e o Estado são bastante conhecidas e talvez nem valha a pena colocá-las aqui.

Quando umas das maiores emissoras de televisão do mundo coloca em boa parte de programação produtos voltados ao público pobre (que é o maior), quando a publicidade assume posturas afirmativas e o Estado passa a reconhecer iniciativas sociais é sinal de que a movimentação esta grande mesmo.

Contudo, a favela resiste todos os dias. Pensa em alternativas, se organiza, e comunica com ela mesma e com outros espaços sociais. Moedas complementares com lastros cada vez maiores, tecnologias sociais digitais e analógias cada vez mais compartilhadas são alguns dos exemplos que evidenciam a resistência.

O momento é oportuno para o hackeamento e conexões de forma a dar visibilidade ações realizadas pelas favelas.

Hackeamento da mídia de massa, comunicação compreendida como compartilhamento de saberes orais e a apropriação de tecnologias - o famoso trocar o pneu com o carro andando, é o que esta em questão. A favela entende bem de tudo isso.

Estamos nas Preliminares do primeiro ano das nossas vidas.

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