A filosofia da diferença
João Everton da Cruz
A filosofia da diferença tem como importância o estudo da singularidade e da particularidade que habita em cada pessoa. Por sua vez, a filosofia da diferença tem como entusiasmo criador os estudos dos antropólogos , pois se debruçam a estudar o fenômeno da diversidade, da pluralidade, da singularidade e das diferentes culturas.
Em presença da filosofia da diferença brota a pedagogia que respeita e cultiva o encontro dos distintos saberes. Cada ser humano é diferente e carrega em si um determinado tipos de saber. É na diferença que está a originalidade, o verdadeiro sentido e a riqueza de ser gente.
Nessa direção, foram às idéias de Paulo Freire que nos permitiram compreender que nenhuma pessoa é mais culta do que outra. O que existe são pessoas diferentes e culturas paralelas, distintas, e que podem perfeitamente ser complementares. A partir da pedagogia de Paulo Freire compreendemos que qualquer pessoa sabe, porém, nem sempre sabe que sabe.
A singularidade de cada ser humano é facilmente compreendida se notarmos a fisionomia das pessoas. Os olhares, os sorrisos, o jeito de falar, as expressões das pessoas são diferentes. A lição que tiramos é que as pessoas não são predeterminadas inatamente. Os seres humanos, quando agem no seu cotidiano, não se repetem. São originais, diferentes. Daà o entendimento de que os seres humanos são educados e os animais são adestrados ou atrasados.
Sendo assim, os seres humanos, por serem diferentes uns dos outros, são seres incompletos e inacabados, usando a expressão de Sartre, e estamos em constante construção. Ou ainda, o dia de amanhã seremos mais humanos do que somos no dia de hoje, como o dia de hoje somos mais gente do éramos no passado de nós mesmos. Nessa linha, aprende-se construindo e reconstruindo saberes.
O imperativo ético nos convida a respeitar e a cultivar as diferenças para que as pessoas possam decidir, pensar e se tornar livres e responsáveis. Hoje nos defrontamos com um contexto em processo de globalização. A globalização pode ser assimilada e estudada numa perspectiva conservadora ou, em contrapartida, numa perspectiva emancipadora. A perspectiva conservadora é castradora e uniformizadora. É o pensamento é único. Isso implica numa imposição de um padrão como único e planetário, descriminando e desvalorizando as culturas nacionais e locais, eliminando a filosofia que possibilita a diferença. Essa perspectiva nega a pluralidade e exige o enquadramento das pessoas numa única orientação.
Nenhuma pessoa é mais culta do que outra?
A cultura é multifacetada. DaÃ, a análise fica complexa.
Todavia, acredito que possam existir pessoas mais cultas do outras, no conjunto.
O problema é mensurar a cultura de cada um...
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