A Gigante do século XIX

Gustavo Pacete
Locomotiva a Vapor
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Luiz Gustavo Pacete · Osasco, SP
12/1/2007 · 23 · 0
 

Nessa época o homem pensava ter atingido o ápice da tecnologia, quando passou a construir grandes locomotivas a vapor. Elas chegaram ao Brasil por volta do século XIX, oriundas dos Estados Unidos, destacamos a 338 que foi utilizada por muito tempo em Minas Gerais e pertenceu à Rede Mineira de Viação, que devido à grande rivalidade entre paulistas e mineiros foi apelidada de "Ruim Mais Vai". A 401 foi utilizada em Bauru, região Oeste Paulista. Uma época em que o homem ainda encontrava viabilidade em manter essas máquinas, que demandava demasiado tempo e trabalho. Um forno a vapor deveria ser aquecido com mais ou menos 6 horas de antecedência. Elas foram de extrema importância e símbolo de desenvolvimento tecnológico para a época, foram responsáveis por movimentar a indústria cafeeira, que movia a economia do país, levavam o produto desde o interior do estado até os portos com destino aos países compradores. As que estão em poder da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária possuem trem com 8 veículos de passeio, sendo um destes o veículo bar, local que era freqüentado somente por homens, naquela época, era raro a presença de mulheres neste compartimento.
Em 1872, surge por iniciativa do Dr. João de Ataliba Nogueira, o "Barão de Ataliba Nogueira", atual vereador de Campinas e idealizador da criação da linha férrea que seria batizada de Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, que ligava Campinas - Mogi-Mirim, responsável pelo transporte dos grandes lotes de café. Atualmente restaram apenas 24,5 km desta ferrovia, que são mantidos juntamente com as locomotivas pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), que conserva o trecho Anhumas (Campinas) a Jaguariúna. A ABPF promove aos visitantes o passeio de Maria Fumaça, que se utiliza das duas máquinas americanas 338 e 401. No percurso o passageiro encontra não só a emoção de estar revivendo a realidade da época dos "Barões do Café", mas encontra grandes vestígios, como fazendas que foram de extrema importância para a produção de café do século XIX, ainda na região de Campinas, o trem passa beirando as Fazendas São Quirino, atual propriedade dos donos da EPTV Campinas e Mogi- Mirim, Fazenda São Vicente arquitetada por Ramos de Azevedo e Fazenda Santa Maria, que recentemente removeu 50 mil pés de café de seu terreno. As propriedades ainda conservam a arquitetura e estilo colonial, é possível avistar as senzalas que serviam de moradia para os escravos, as fazendas se diferenciavam pelo tamanho de seus pátios de secagem do café. A locomotiva ainda passa pela Estação de Tanquinhos, nome originado da quantidade de tanques naturais existentes na região.No percurso você ainda conhece os rios Atibaia e Jaguari. Ao chegar na Estação de Jaguariúna, ponto final do passeio, está localizado o Museu Ferroviário de Jaguariúna, onde se pode conhecer um pouco mais do que restou da história ferroviária brasileira, como peças, equipamentos que restaram das máquinas, fotos e registros. O local já foi cenário de diversas novelas nacionais, como Cabocla, Bang-Bang, Éramos Seis, Terra Nostra e mais recentemente Sinhá Moça e Cidadão Brasileiro,e alguns comerciais como da marca Nokia, protagonizado por Pelé, devido a conservar um cenário extremamente apropriado para reconstruir o século XIX. Além do museu, você ainda acompanha uma explicação acerca do funcionamento das locomotivas a vapor.
Informações: (19) 3207-3637
www.abpf.org.br
Luiz Gustavo Pacete de Lima da Estação de Trem a Vapor Anhumas, em Campinas, para a Revista Núcleo Online – gustavo.pacete@revistanucleo.com.br

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