Elas entram no ônibus acompanhadas por suas respectivas mães. Mal sabem elas, aquelas desveladas, que iniciaria ali uma das partes mais grandiosas da vida de quem está começando a trilhar por esse mundo. Os olhares curiosos e quase perplexos dos infantis contrastam com a visão das mães que com a experiência que dispõe não mais se alegram facilmente. Nem bem sentaram, depois de uma briga para ver quem fica na janela, e aqueles pequeninos seres começam um verdadeiro questionário que pode ser convertido para apenas uma questão: O que é a vida?
A pequena que ao meu ver dever ter de três a cinco anos pergunta: - “O que é aquele negócio?â€, a mãe responde sem muita empolgação: - “É uma placa de trânsitoâ€, enquanto a outra menina que deve ter a mesma idade de sua amiga, ri em descompasso. Ela sorri sem motivos, ou por motivos bobos, mas o relevante é que ela ri. Ela se mostra alegre com tudo e todos. Qualquer coisa é motivo de comentários. Em seguida a alegria da menina contagia sua colega e a todos que estão no ônibus, que geralmente é uma lata cheia de adultos estressados e intolerantes; mas calma, eu disse geralmente, nem tudo está perdido ainda. Waly Salomão já dizia: - “Chega dessa besteira de falar que o sonho acabou, pois a vida é sonhoâ€.
A outra irrequieta menina sem desgrudar os olhos do objeto da avenida que contém três luzes, pergunta à mãe. - “Mamãe o que é aquilo?â€, ela responde sem tirar seus olhos do lado oposto ao questionamento da filha: - “Serve para que os carros parem e as pessoas atravessem a ruaâ€. A outra filha se prepara para fazer sua segunda pergunta, quando é interrompida por sua mãe: - “Fica quieta menina, pare com isso!â€. A garota, sem entender o nervosismo da mãe, e com o mesmo tom de voz reprimido, rebate: - “Mas eu quero aprender mãe!â€, Nesse momento todos os olhos dos outros passageiros se voltam para a mãe, que envergonhada diz: - “Ta bom filha, o que é, que você quer saber?â€
O fantástico seria se todos realmente tivessem uma criança dentro de si, pois é nessa fase que os sonhos são estimulados e a curiosidade ativada. Quando adulto, na maioria das vezes, fechamos os olhos para as coisas simples da vida, nos tornamos pragmáticos e fazemos da vida um grande escritório, onde somos regulados por horários e normas, que restringem nosso pensamento e aprisionam nossos sonhos. Voltando a pergunta, O que é a vida? A vida é sonho!
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