Abrangência, convivência, inclusão

Audiência Existe Diálogo em SP
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Perfil Overmundo · São Paulo, SP
20/2/2013 · 0 · 0
 

Publicada originalmente no site Farofafá. Por Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanchez.



Em entrevista exclusiva, Juca Ferreira, secretário de Cultura de SP, fala da nova Virada Cultural, do #existediálogoemSP (foto) e de “mudar a autoimagem” da metrópole.


Era uma vez o neoliberalismo cultural em São Paulo. Juca Ferreira, 64 anos, o novo secretário de Cultura do maior município do país, não emprega esse termo em nenhum momento das quase duas horas de entrevista a FAROFAFÁ. Mas é possível ler no interior de várias de suas respostas uma crítica aberta à privatização desenfreada do espaço pública a que a cidade esteve exposta por muitos anos até a eleição do petista Fernando Haddad como novo prefeito da cidade. Daqui para frente, promete Juca, tudo será diferente.

Baiano que vinha morando na Espanha, e chegou a São Paulo na virada deste ano, Juca toca nesse tema ao fazer um primeiro diagnóstico sobre que demandas vê expressas nos rostos e anseios dos paulistanos em sua chegada. Afirma que os habitantes da cidade estão ansiosos por conviver. Diz que o crescimento desordenado das grandes cidades do país “desqualificou, esvaziou e em alguns casos chegou a criminalizar o espaço público”.

Para tecer essa e outras considerações, Juca se vale do que aprendeu no primeiro evento público que sua secretaria promoveu, no dia 5 de fevereiro passado, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo (CCSP). O encontro foi batizado #existediálogoemSP, assim mesmo, em formato de hashtag de Twitter, e atraiu cerca de 2 mil agentes culturais paulistanos, num debate que promete se tornar constante e corriqueiro na gestão de “gabinete aberto” proposta pelo secretário.

Há experiência antecedente para isso, de quando Juca foi ministro da Cultura do Brasil, entre 2008 e 2010, no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, após ter sido, desde 2003, chefe de gabinete do primeiro ministro lulista da Cultura, Gilberto Gil. Para sua surpreta e satisfação as conferências promovidas pelo Ministério da Cultura (MinC) de Lula envolveram 200 mil brasileiros e 80% dos municípios do país. Após a posse de Dilma Rousseff, enquanto Ana de Hollanda desconstruía o legado Gil-Juca, esse ex-exilado político da ditadura de 1964 exerceu cargo diplomático como coordenador da Secretaria Geral Ibero-Americana, em Madri. Volta agora, a convte de Haddad, sob promessa, revalidada no #existediálogoemSP, de voltar a zelar pelas periferias geográficas e culturais da cidade, em grande medida marginalizadas pelas gestões de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD).

Classifica o #existediálogoemSP como “um gesto civilizatório”, e enquanto olha de soslaio, no gabinete, para os filhos Vicente, adolescente, e Rafael, de 2 anos, deixados ali enquanto a mãe, Celina, vai ao cartório cuidar de detalhes da mudança da família para São Paulo. “O combate ao crime e ao tráfico jamais pode ser extensivo à população de trabalhadores que moram nos bairros de periferia”, soma, tratando do paroxismo da privatização recente dos espaços públicos paulistas e paulistanos, que tem chegado, no campo cultural, ao extermínio físico de jovens artistas de funk e hip-hop.

Egresso do Partido Verde e filiado ao Partido dos Trabalhadores há um ano, Juca, que em entrevista anterior a FAROFAFÁ se autodefiniu como “um velhinho de esquerda”, ri do apelido que adquiriu ainda no PV, “melancia”, porque seria “verde com preocupações sociais”. Por esses dias (a entrevista ocorreu na tarde da sexta-feira pós-carnaval), está às voltas ainda com os blocos de rua de São Paulo, que pretende fomentar, e com a Virada Cultural programada para maio próximo, que a atual gestão manterá e para a qual sonha um ato fixo de abertura, composto como um desfile de manifestações populares do estado de São Paulo e do Brasil. Juca proclama a criação de um programa de eventos dispersos pelo ano todo, que circunscrevam a crítica recorrente de que toda a cultura oficial do município vinha se detendo às 24 horas de programação intensiva da Virada. Esboça a ativação de parcerias privadas, já a partir deste ano, para engordar o orçamento do evento. E, resistindo a críticas também recorrentes, defende e promete continuar a fixação do evento no centro da cidade, para ele tão marginalizado quanto as periferias.

Leia a entrevista exclusiva concedida por Juca a FAROFAFÁ, numa demonstração a mais dos propósitos do secretário, de democratizar o acesso à vivência cultural na cidade de São Paulo, seja sob critérios geográficos ou simbólicos, territoriais ou virtuais.

A entrevista e o rol de assuntos são extensos, e FAROFAFÁ se permite apontar, por intermédio de alguns trechos coloridos, temas e afirmações do secretario que consideramos cruciais, e que, a nosso ver, merecem atenção especial de nossos leitores.


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