As baianas de acarajé são monumentos
vivos de Salvador e do Brasil.
O acarajé é um bolinho de feijão-fradinho,
cebola e sal, frito em azeite-de-dendê. É
uma iguaria de origem africana, vinda com os
escravos na colonização do Brasil.
Hoje está plenamente incorporado
à cultura brasileira. É alimento do
dia-a- dia – comida de rua – em
Salvador e em tantas outras cidades,
vendido com acompanhamentos
como a pimenta, o camarão, o
vatapá e, às vezes, molho de cebola
e tomate...Também tem sentido
religioso, é comida de santo nos
terreiros de candomblé. É o bolinho
de fogo ofertado puro, sem
recheios, a Iansã e Xangô... e cheio
de signifi;cados nos mitos e ritos do
universo cultural afro-brasileiro.
Pela tradição que se afi;rmou ao
longo de séculos quem faz o acarajé
é a mulher, a fi;lha de santo quando
para uma obrigação, ou a baiana de
acarajé quando para vender na rua.
No perÃodo colonial as mulheres,
escravas ou libertas, preparavam
acarajé e outras comidas e, à noite,
com cestos ou tabuleiros na cabeça,
saÃam a vendê-los nas ruas de
Salvador ou ofereciam aos santos e
fi;éis nas festas relacionadas ao candomblé.
Hoje o ofÃcio de baiana de acarajé é o meio
de vida para muitas mulheres e uma profi;ssão
que sustenta muitas famÃlias.
O registro do OfÃcio das baianas
de acarajé como Patrimônio Cultural
do Brasil, no Livro dos Saberes,
é ato público de reconhecimento da
importância do legado dos ancestrais
africanos no processo histórico
de formação de nossa sociedade e do
valor patrimonial de um complexo
universo cultural, que é também
expresso por meio do saber dos que
mantêm vivo esse ofÃcio.
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