Existem inúmeras definições para favela.
Planta? Desordem Urbana? Aglomerado Subnormal? SÃmbolo do caos? Local esquecido e abandonado pelo poder público? Exemplo da segregação? Antro de pobres, negros e mestiços? É a evolução do Quilombo dos Palmares? Comunidade Carente?
Formada por sobreviventes da Revolta de Canudos? Abriga pessoas fora da cidadania urbana?
Estudiosos acreditam que as Callampas (no Chile), Villas (na Argentina), Cantegriles (no Uruguai), Barriadas (no Peru), Cidades Perdidas (no México), os Pueblos Piratas (na Colômbia), ou seja qual for o termo utilizado para denominar áreas de favelas; são fruto de um processo de urbanização da América Latina. Processo influenciado pela explosão demográfica, êxodo rural, exclusão social.
São tantas teses que objetivam explicar a ruptura do tecido urbano carioca em duas subcidades com caracterÃsticas distintas. A “Cidade Partida†de Zuenir Ventura dividida em dois pólos que não se comunicam, é contrária “Cidade Cerzida†de Aldair Rocha, subdividida em duas áreas opostas, costuradas, o morro e o asfalto que estabelecem relações constantes. A “Cidade Normatizada†em contraposição a “Cidade Anômica†que cresceu a margem da primeira, analisada pelo historiador José Luis Romero. Ou então relembrando o inicio do século XX, com a Reforma Pereira Passos e o surgimento de outras duas cidades. Uma nobre e civilizada, em oposição a outra negra, pobre, ex-escrava e suja.
Tema estudado como: problema social, questão urbana a ser resolvida, forma de sintetizar as desigualdades da cidade. Conhecida muitas vezes pela violência policial, tráfico de drogas, criminalidade; mas atualmente são abordadas também como solução em termos de moradia, solidariedade, vida em comunidade, trabalhos sociais de sucesso. Caracterizada pela produção cultural, artÃstica e intelectual de pessoas que nasceram e cresceram neste contexto, os favelados.
Como moradora de uma favela da zona norte carioca afirmo que entre lutas contra remoção e reivindicações pela melhor infra-estrutura na favela, existem pessoas com muita história pra contar. Mesmo com as dificuldades e problemas da vida tem alegria para continuar nessa labuta diária. Trabalhadores, batalhadores, são a maioria. E seja num morro ou numa planÃcie, comunidade é um termo que não exprime o mundo que existe dentro das favelas.
Marcela, séculos e séculos já se passaram e ainda nós não absorvemos que somos, todos, partes de um único, que é o Universo. Sabemos, desde o começo, que não somos diferentes um do outro e que todos somos capazes, mas o mau uso da inteligência nos afasta um do outro. Não cale a voz! Endosso seu texto.
Ari Donato · Salvador, BA 22/6/2008 12:08Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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