Às vezes me pergunto, como uma pessoa pode amar alguém mais do que pode amar a si próprio. Bem, na realidade isso é uma fraude, não é possível alguém amar uma pessoa, mais do que é capaz de ser amado por ele mesmo. Todos seremos amados até próximo do limite em que nós somos capazes de gostar de nós mesmos.
Vale lembrar que ninguém neste mundo poderá amar 'a nós mesmos' mais do que nós mesmos. Eu amo, tu amas, não sei... Chego a conclusão que nunca amei. Na altura que eu estou em minha vida, posso repensar muitas coisas. Que talvez eu não exista, ou que talvez se eu tivesse vivido feito um vagabundo teria sido mais prudente, mas não mais honesto.
Envolvi com pessoas que não tinham o mesmo nível sócio-cultural que eu. Não que eu seja discriminatório em relação às pessoas. Realmente uma de minhas terapeutas me disse que me envolvo com pessoas menores que eu. Pessoas estas não ruins, péssimas, ou então inferiores. Eu era, de uma forma geral, um prato cheio para estas pessoas. Tenho meus defeitos, tenho hábitos ruins. Este menor que caracterizo as pessoas que me deixei envolver não os determina de péssimo caráter, mas os determina como de cultura menor, de leitura menor. Talvez eu procurasse por algum prêmio, ou presente... no final da história, eu era o presente e não havia me dado conta disso. Quem se deu conta acabou aproveitando o quanto pode.
Se eles são ou não de caráter duvidoso, bem, acredito eu que o fato de ter “menor leitura” e o fato de ter “caráter duvidoso” são duas visões independentes. Eu tenho minha própria leitura, para quem já leu algum texto meu, sabe muito bem o que eu penso a respeito de infidelidade ou deslealdade ou traição. Isso pode ser característica de qualquer tipo de pessoa, seja ela uma de pouca leitura, ou de alta leitura. Embora todos que sejam infiéis (ou desleais ou que traem) se não são de caráter duvidoso já passaram a tempo da margem que divide a dúvida entre o que é ser crápula e o que é ser honesto. Obviamente, ficaram no primeiro termo: SER CRÁPULA.
Venho pensando nisso, ultimamente. Depois que procurei terapeutas para ouvirem sem tanto compromisso pessoal comigo, como meus amigos tinham, comecei a me conhecer muito mais do que eu imaginava que já conhecia. Assusto-me quando percebo que estive errado o tempo todo! Estive com pessoas que provocariam ânsias de vômito a um bueiro de fossa nas vias públicas.
Agradeço quando olho para trás e vejo momentos em que fiquei frustrado. Quando levava um "fora" de alguém. Que parecia tão interessante. Quando percebia que as "ficadas" não passavam de um passeio no shopping. Eram pessoas menores e talvez vissem em mim algo muito maior que eles e assim não quisessem perder seus "preciosos" tempos. Aquela "frustração" minha era na realidade uma falta de compreensão do que havia acontecido. A culpa que talvez poderia ter sentido, era na realidade uma não compreensão do que eu realmente era. Sou melhor? Não, apenas tenho uma carga e um outro nível de conhecimento das coisas e visões diferentes do quotidiano que muitos com quem eu convivi não tinham.
Antes que alguém escreva: "Abra os olhos e veja o MUNDO, lá fora", tenho que definir que seu 'mundo' é muito quadrado. Falo isso, porque pensar diferente no “mundo” que feliz ou infelizmente eu vivo, quase um trabalho de Hércules. Seu “Mundo” muda muito conforme o seu próprio entender e conforme seu próprio desejo. Meu mundo é muito mais redondo, com visão de mundo que faz as coisas terem conteúdo, visto que para mim, relacionamento sério tem a definição mais simples.
Fidelidade voluntária!
Para mim um relacionamento que tem hora para começar e hora para terminar não serve. Isso me faz lembrar as tão criticadas profissionais do sexo, mas elas estão certas, relacionamentos que tem hora para começar e hora para terminar devem ser bem remunerados. Não importa, se a busca pelo prazer é em primeiro lugar, ou que gays não precisam ser fiéis, ou que seu paradigma (modelo, padrão) de fidelidade seja diferente do meu, ou que em sua fé não cabe o termo “culpa”, qualquer tipo de relacionamento interpessoal que visa a prazer sexual que é provisório e ambas (ou não) pessoas saibam disso é um "programa de prostituta gratuito”, como se pudesse ter amostra grátis.
Não existe o alguém que idealizamos como sendo o perfeito para nós. Apesar disso, não vivo fazendo "programas de graça" enquanto o "homem da minha vida" não aparece.
Primeiro: Meu padrão de moralidade e de caráter não permite. Tenho que te confessar que: Não encontrei meu corpo em monte de esterco, como devem ter encontrado aqueles que se "distribuem" aos quatro ventos.
Segundo: NINGUÉM VAI ME AMAR MAIS DO QUE EU MESMO SOU CAPAZ DE ME AMAR.
Como eu já sei como é a maior quantidade de amor que eu vou receber na minha vida, para que ficar por aí "experimentando"? Não tenho motivos.
Chamem a mim de hiena, que é o animal mais burro que existe. Hiena: um animal que come carne podre, trepa uma vez por ano e ainda fica rindo. Eu não meço a felicidade pela quantidade de sexo que eu faço, ou pela quantidade de parceiros que eu "tracei" por semana, meço minha felicidade pela capacidade que eu tenho de pensar, pela capacidade que eu tenho de ser honesto, decente e principalmente pelo orgulho que eu tenho de meu próprio caráter.
Não faço um discurso pré-conceituoso a respeito da sexualidade. Conheço pessoalmente os conceitos morais que aqui demonstro. Eu sou homossexual. Não tenho orgulho de ser gay, ou não sou gay porque é gostoso ser gay. Sou gay porque há reações químicas que me predispõem a desejar um ser humano do mesmo sexo. Há alguns que me falam: você não se aceita, é encubado, é enrustido. É incrível, mas me aceito perfeitamente bem... Gosto do sexo que eu tenho. Sou homem tenho 46 cromossomos sendo um par XY – fatores estes que me dispuseram produtor de Testosterona e de esperma. Mesmo em meu sexo psicológico não existe lugar que me faz pensar: “Bem que eu poderia ter nascido mulher”. Incubado não, apenas não transpareço feminilidade porque eu sou homem, e gosto das coisas certas em lugares certos. Enrustido, bem, eu não faço questão nenhuma que o universo saiba o que eu faço na cama, ou de que gênero eu sinto atração física. Porque os Heterossexuais não fazem isso também?
Vou acabar repetindo uma frase que há muito disse: Não vejo motivos para saírem por aí em passeatas de "orgulho" gay. Porque justamente não sei que tanto há para ter orgulho. Orgulho de poder transar com dezenas de homens por semana, ou mês? Orgulho de ser promíscuo? Orgulho de ter relações cada vez mais efêmeras? Ou orgulho de quase ser uma máquina de produzir esperma ou de absorver o esperma alheio? Não, tudo isso não é motivo de ter orgulho de ser gay. Eu tenho orgulho de ser humano, e de poder desenvolver meu próprio caminho por ser livre. Orgulho de desenvolver minha liberdade sem fazer com que esta liberdade ganhe conotações de 'libertinagem' e 'promiscuidade". Todo mundo - independente de ser gay ou não - pode ter orgulho disso. A questão se define melhor quando chego a conclusão que não deveríamos fazer esta distinção entre GAYS e HETERO. O dia em que me mostrarem um motivo plausível para se ter orgulho de ser gay (ou melhor, motivo para sair na rua e dizer que é gay...) eu posso chegar a uma outra conclusão.
O fato de existir o pré-conceito não nos legitima a ofender as outras pessoas que tem um comportamento diferente do nosso. Ser gay é apenas gostar do mesmo sexo, de resto... o resto - meus caros - vai morrer, apodrecer, feder e virar pó... não é porque se é gay que o esterco vai cheirar a perfume francês.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Voc conhece a Revista Overmundo? Baixe j no seu iPad ou em formato PDF -- grtis!
+conhea agora
No Overmixter voc encontra samples, vocais e remixes em licenas livres. Confira os mais votados, ou envie seu prprio remix!