Não sejamos hipócritas! Desde crianças, por alimentarmos o sonho em ser jornalista, sentávamos juntos aos nossos pais e familiares e ficávamos ali observando-os assistirem aos telejornais mais famosos do Brasil, ouvÃamos comentários elogiosos a respeito dos apresentadores; de alguns repórteres e séries de reportagens. Quando na escola nos perguntavam o que gostarÃamos de ser quando crescêssemos, aà uma voizinha cheia de entusiasmo respondia “Quero ser uma jornalista igual à Fátima Bernardes†ou “Eu quero ser como o William Bonnerâ€.
Agora “lapidados†pelas opiniões, muitas vezes preconceituosas, da universidade, dizemos não querer fazer parte de uma grande rede de comunicação do paÃs, e até considerada uma das melhores do mundo. (Por que será? Se é tão ruim, por que então ser considerada uma das melhores? Há de haver explicação não é mesmo?!) Por que pensar e espalhar por aà que somente a Rede Globo é uma fábrica de Telealienação, se todos os mass media¹ possuem sua ideologia, suas idéias predominantes, assim como todos nós? Será mesmo que somente essa realiza o Showrnalismo, transformando o jornalismo num show para atrair o maior número de espectadores possÃvel?
Essa intolerância é uma perda de tempo vergonhosa, afinal qualquer meio de comunicação que nós nos dispusermos a trabalhar, terá uma linha de pensamento e assim, perceberemos muito melhor a realidade. Nenhum MCM² é imparcial por completo, cada um apoiará o que lhe parecer mais coerente com a sua posição enquanto empresa pertencente a uma pessoa normal, possuidora de idéias como nós. Mas se o telespectador acredita em tudo no que vê, se acha que a verdade é aquela passada pelos meios, aà é uma escolha dele próprio, a partir de seus conhecimentos e do senso crÃtico adquiridos. Ninguém é obrigado a assistir somente um canal, a ler somente um jornal, a ouvir somente uma rádio, etc. todos têm o direito de realizar comparações e crÃticas sim, mas atualmente, só a Rede Globo leva a fama de vilã do Jornalismo. Porém todos os meios têm um compromisso com a realidade e veracidade dos fatos que publica, e isso não se pode esquecer jamais. Essa é a responsabilidade fundamental dos MCM.
PossuÃmos desejos, sonhamos em conquistar o melhor das coisas, sempre. Todo atleta almeja chegar à seleção brasileira do esporte que pratica; todo bailarino quer fazer parte do famoso balé russo, o Bolshoi; todo escritor quer uma cadeira na ABL; todo ator quer receber o Oscar; e considero que todo jornalista quer, também, ser reconhecido por seu trabalho e ganhar o troféu Imprensa que por sua vez é o reconhecimento dado pela empresa jornalÃstica para qual trabalha.
Então, não sejamos hipócritas, por favor! Se não gosta, não admira o trabalho de William e Fátima, ou seja, lá de quem for da Rede Globo, não fique tirando fotos quando numa oportunidade você se vir bem perto de um deles. Para que tirar foto com uma pessoa famosa se não é seu Ãdolo, se você não tolera seu trabalho? Parece controverso, mas existe esse tipo de atitude, e como existe! Basta que venham até mais próximo de onde estamos que lá se vai uma multidão para pedir autógrafos e fotos, transformando, assim, o Jornalismo em Showrnalismo mesmo! Se não houvesse a “histeria†do público não haveria o espetáculo das notÃcias. Por exemplo: quando o Jornal Nacional informou que faria uma caravana por algumas das principais cidades de todas as regiões do paÃs, todos os dias nós vÃamos William cercado por centenas de pessoas em ruas e praças só para vê-lo mais de perto. Ele estava ali para cumprir seu papel como repórter, diferenciando o padrão de reportagem. Quem cria o espetáculo, na minha opinião, é o público, que confunde os jornalistas com atores de cinema e televisão.
Bem, é só uma questão de consenso em respeito à cognição do ser humano in totum³. Produzamos crÃticas sim, isso demonstra que estaremos cada vez mais observadores e lúcidos, só não nos detenhamos a somente um dentre tantos outros meios de comunicação que existem, e que, também, possuem fatores a serem, digamos, “acertadosâ€. Mas não levem tão a sério o que escrevi, afinal é apenas mais um texto opinativo. Opinião não deve ser regra, é liberdade de ser.
Glossário
1- Mass media: Meios de Comunicação de massa.
2- MCM: sigla para Meios de Comunicação de Massa.
3- In totum: expressão latina que significa no todo, inteiramente.
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