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Arte e cultura fazem a cara alegre do Piauí

Foto: Cineas Santos
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Natacha Maranhão · Teresina, PI
6/3/2006 · 83 · 0
 

O projeto A Cara Alegre do Piauí completa 30 anos este ano. Trata-se de um grupo de amigos que viaja por todo o Estado levando arte e cultura para quem não tem acesso, como as comunidades das cidades mais pobres. Gente que nunca foi a um teatro, nunca assistiu a um show e conhece apenas o rádio e a TV como formas de entretenimento.

Para festejar a longevidade - coisa rara em um projeto cultural sem remuneração, sem fins lucrativos, sem regras e sem chefe - e principalmente a amizade que mantém o grupo unido há tanto tempo, está sendo preparado cuidadosamente um CD que de já dá água na boca.

Artistas do quilate de Vanda Queiroz,Luzia Miranda, Rosinha Amorim, Luciana Libório - donas de algumas das mais lindas vozes do Piauí -, Erisvaldo Borges, Gilvan Santos, Wilker Marques, Ferdinand Melo, Gilson Fernandes e Agostinho Ferraz, que fazem parte do Cara Alegre, já estão com repertório selecionado, só com músicas do Piauí.

O professor Cineas Santos, um dos fundadores do projeto, conta que vê com alegria o fato de a idéia de um grupo de amigos apaixonados por arte e cultura ter conseguido chegar tão longe. "Acho que o segredo é que, ao longo de todo esse tempo, mudaram algumas pessoas, mas a filosofia do Cara Alegre não muda. A nossa filosofia desde o início foi ensinar, aprender, compartilhar e conviver. Agora virou slogan".

O Cara Alegre tem conseguido feitos inimagináveis. Entre eles, um dos que mais emocionam é a transformação provocada pelo grupo em Guaribas, a cidade do interior do Piauí que ficou famosa por sediar o programa piloto do Fome Zero. Em meio à pobreza das pessoas, a generosidade dos artistas que participam do projeto tem feito a diferença. Crianças que nunca tinham tido brinquedos aprenderam a magia de brincar com tinta e pincel, com argila e com música. A cidade ficou mais colorida depois que os muros ganharam desenhos e pinturas, as tardes ficaram mais alegres com o som das flautas dos meninos que se revelaram nas oficinas.

A jornalista Paula Danielle acompanhou o grupo em algumas das viagens a Guaribas e sempre tinha histórias bonitas para contar quando voltava. Era a menina que nunca tinha tido chinelos e começou a andar calçada, a família que não tinha o que comer mas ficava sentada de noite na porta de casa, contando histórias e estrelas, a outra menina que não sorria e mudou completamente ao ganhar a primeira boneca...

Os artistas que fazem o Cara Alegre estão entre os mais famosos e conceituados do Estado. Um exemplo é o maestro Aurélio Melo, regente da Orquestra Filarmônica do Piauí, conhecido pelo rigor com que orienta seus alunos, jovens músicos. Nas ações do projeto, ele ensina, cuida, ajuda. "Quem imagina o Aurélio Melo acompanhando amadores? No Cara Alegre ele faz isso", comenta Cineas, um professor de Língua Portuguesa e Literatura apaixonado pela cultura do Piauí que faz as vezes de mecenas para muitos artistas do Estado.

O grupo viaja por todo o Piauí, de Corrente (extremo sul do Estado) a Parnaíba (extremo norte) levando arte, cultura e alegria. Nada de grandes estruturas, o que conta é só a vontade de participar. "Já dormimos todos em uma sala, porque não tinha quarto para ninguém. Já viajamos de todo jeito, de carro, de ônibus, de carona; a gente come o que tiver, bebe o que tiver e ninguém reclama. Em todo esse tempo, nunca adotamos regras do tipo 'só viajamos se for assim ou assado'. Não temos dentro do grupo um estatuto, um código de postura, nada que reja o projeto, mas mesmo assim nunca tivemos problemas", diz o professor.

O nome do grupo é uma resposta a quem diz que o Piauí é triste por causa da pobreza, do calor ou de problemas de qualquer ordem. "Quem sugeriu esse nome foi o Fernando Ferraz, há uns dez anos, em Parnaíba. Ele comentou que o Piauí já fez cara triste a vida inteira e que estava na hora de mostrar a cara alegre, que era essa que levávamos a todos os recantos do Estado", lembra Cineas.
O grupo hoje tem cerca de trinta pessoas entre músicos, jornalistas, professores, artistas plásticos e bailarinas. "As pessoas se aproximam por afinidade, é todo mundo voluntário. Cada um vai na viagem que quer e que pode ir".

Cineas, um homem de extremos, do tipo ame ou deteste, afirma, com todas as letras, que o Cara Alegre do Piauí é o que o mantém vivo.

Quando se trata de planos, o grupo segue a filosofia do "Deixa a vida me levar" . Se surge uma oportunidade de viagem, um liga para o outro, combinam rapidinho como vai ser, que horas é a saída e pronto. O que acontece na estrada e na cidade a ser visitada é surpresa, depende do que vão encontrar por lá. E é assim que dá certo. Cada um faz a sua parte, cada um ensina o que sabe, aprende o que pode. Com um sorriso no rosto.

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