Arte pública em foco

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Itevaldo Júnior · , MA
26/5/2006 · 60 · 0
 

Depois de duas exposições fotográficas, Arte Pública em São Luís do Maranhão e a A Última Arte, o arquiteto e professor universitário José Marcelo do Espírito Santo prepara o lançamento sobre a arte pública encontrada nas ruas, becos e avenidas da capital maranhense. O arquiteto paulista estuda esse tema há 15 anos.

Arte Pública em São Luís do Maranhão reúne 50 imagens de obras, entre as quais o Leão Heráldico (Palácio dos Leões), Mãe D?Ãgua Amazônica e o La Ravardière (todos instalados na av. Pedro II, Centro), Pedra da Memória (av. Beira-Mar), e as estátuas de Benedito Leite (praça Benedito Leite), Gonçalves Dias (praça Gonçalves Dias, Largo dos Remédios) e João Lisboa (praça João Lisboa). As fotografias terão a dimensão de 1,06 m por 1,50 m.

"A arte pública é um conjunto de expressão artística que está fora do sistema institucionalizado, dos circuitos de galerias e museus. Essas obras estão nas ruas, praças, e largos, ou até mesmo dentro de edifícios de uso comum, como igrejas e repartições públicas", explica.

O projeto de pesquisa Arte Pública foi iniciado em 1991, mas de acordo com o pesquisador, em 1995, a pesquisa ganhou impulso. "A cidade carece de informações nesse sentido. A bibliografia sobre o tema é muito restrita, há pouca coisa sobre isso", afirma. O catálogo ainda não tem data de lançamento.

A pesquisa aponta que atualmente a cidade possui 58 monumentos em locais abertos. O mais antigo é o marco arquitetônico da Pedra da Memória (av. Beira-mar, Centro), produzida por J. J. Rodrigues Lopes, em 1841. Em seguida, surge o conjunto escultórico de Gonçalves Dias, criação de PC Quadrio dos Reis datada de 1873.

Segundo o arquiteto, que atualmente dirige o Instituto de Pesquisa e Planejamento do Município de São Luís (Iplam), a arte pública captada pelas fotografias não são apenas aquelas de valor decorativo. "Busquei peças que, de certa forma, mostram-se como enigma, trazem uma provocação ou até mesmo aquela que provoca uma reflexão sobre a vida em geral ou sobre a vida da cidade em particular", explica.

Para Marcelo do Espírito Santo, os monumentos públicos são cada vez menos compreendidos como arte pela população. "Tudo devido ao caráter oficializante do qual habitualmente se revestem".

Segundo o arquiteto, tanto a pesquisa quanto as exposições Arte Pública em São Luís do Maranhão e A Última Arte foram uma tentativa de valorizar essas obras. "Foi a saída que encontramos para encarar a banalização da obras e o descaso com as peças por parte dom poder público", diz.

Desaparecidos no tempo

Assim como a cruz instalada pelos franceses para a Primeira Missa na recém-fundada São Luís, em 1612, uma série de outros monumentos foram destruídos, desmontados ou simplesmente desapareceram do espaço urbano da cidade. Segundo o arquiteto José Marcelo do Espírito Santo, estudos preliminares da pesquisa a Arte Pública aponta que 11 peças foram destruídas ou estão desaparecidas.

Para José Marcelo, o governo é um dos maiores responsáveis pela depredação dos monumentos. "O curioso que são também eles que mais desenvolvem ações de preservações dessas obras", declara Marcelo.

De acordo com o pesquisador, os problemas mais comuns são as transferências e retiradas de monumentos sem a prévia consulta à população. "O mais grave é quando monumentos símbolos de diferentes períodos são aleatoriamente substituídos por elementos contemporâneos", frisa o arquiteto.

Um dos casos mais notórios foi a substituição do conjunto escultórico Ãguia que Pousa, situado na praça Belfort Vieira, em frente à Capitania dos Portos. O monumento foi substituído pela Marinha por um busto do marinheiro imperial Marcílio Dias, que morreu na Batalha de Riachuelo.

Segundo Marcelo do Espírito Santo, o monumento Ãguia que Pousa foi destruído. A peça foi produzida pelo escultor Newton Sá, em 1929, numa referência ao primeiro hidroavião a pousar no estado, o Sampaio Corrêa.

É também de responsabilidade da Marinha a transferência de um busto do Almirante Tamandaré, de 1970, que estava na praça próxima ao 24º Batalhão de Caçadores do Exército. A peça foi levada para a cidade de Imperatriz. "Como a Marinha desejava colocar um Almirante Tamandaré na avenida Beira-mar, em frente a praça Maria Aragão, eles acharam por bem transferir o outro, pois seria muito dois almirantes na cidade", conta.

Entre as peças destruídas está o busto de Sotero dos Reis, feito por Newton Sá, que estava instalado na praça Dom Pedro II; a peça Romeiros de Ribamar, do artista plástico Antônio Almeida, que ficava no Retorno da Forquilha; o Anjo da Guarda (praça do Anjo da Guarda) e a Sereia (Ponta d?Areia), ambos do escultor Luigi Dovera e confeccionados em 1983.

Dado como desaparecido está um busto do aviador Santos Dumont. A peça construída pelo escultor Leonardo Lima, em 1959, encontrava-se no pátio externo do Aeroporto Cunha Machado. Segundo Marcelo do Espírito Santos, "a peça foi retirada durante a reforma do aeroporto e não mais foi colocado no lugar".

Contada como desaparecidas também estão uma peça de Jesus Santos que tinha como habitat o Parque do Bom Menino (Av. Jaime Tavares, Centro) e uma outra de Antônio Almeida, que estava na rotatória do Bacanga. Esta última foi trocada durante o governo de Epitácio Cafeteira. "No local puseram aquele coração de concreto, que era a logomarca do governo Cafeteira", observa Marcelo.

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