Abundante no Nordeste, usada tradicionalmente como embalagem de rapaduras e fardos de carne, a palha da carnaúba hoje é a matéria-prima utilizada por artesãs do Vale do Açu, no Rio Grande do Norte, na fabricação de esteiras e tranças que revestem dezenas de quilômetros de dutos da Petrobrás na região
“A carnaúba é tudo para nós. Muitas famílias vivem disso”, conta Maria da Conceição da Silva, uma das 400 artesãs do Projeto Carnaúba Viva que produzem as esteiras e tranças, feitas da palha de carnaúba, que estão substituindo mantas de alumínio no revestimento de linhas de vapor nos campos de petróleo da Petrobrás no Vale do Açu.
O material artesanal solucionou o problema enfrentado pela empresa, do roubo freqüente das folhas de alumínio dos dutos para serem vendidas no mercado de sucatas. As artesãs já forneceram cerca de 80 quilômetros de esteiras e tranças da palha de carnaúba à Petrobrás.
A idéia de utilizar o conhecimento ancestral do artesanato feito da carnaúba e a habilidade das artesãs do Vale do Açu na produção de esteiras foi sugerida pelo técnico da unidade de Alto do Rodrigues da Petrobrás, João Batista Dantas. Batista conta que procurou Gracia Ramalho e Dario Nepomuceno, um casal de militantes socioambientais atuantes no Vale do Açu, para desenvolver a idéia. Em 2003 eles fundaram a ONG Carnaúba Viva, que desde o início conta com o apoio da unidade do Sebrae, no Rio Grande do Norte.
As esteiras passaram por vários testes técnicos, antes de serem aprovadas. Os dutos chegam a atingir 200 graus de temperatura e é por eles que trafega o vapor a ser utilizado nos poços para diluir a viscosidade do petróleo. “Levamos sete meses para desenvolver o impermeabilizante que aderisse a elas”, conta Batista. As tranças utilizadas nas emendas das esteiras também são impermeabilizadas.
A substituição das mantas de alumínio pelo produto artesanal representa para a Petrobrás uma economia entre 20% e 30% na manutenção dos dutos, segundo o técnico e idealizador do projeto. “Outras unidades da empresa na Região Nordeste estão interessadas na solução tecnológica adotada no Vale do Açu”, afirma, acrescentando que desde o final do ano passado um grupo de Aracati (CE), composto por 40 artesãs, também está sendo beneficiado.
Existe luz no fim do túnel.
Temos que acreditar que é possível mudar o mundo. Nem que seja só um pouquinho de cada vez.
Boa iniciativa e obrigada pelo texto.
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