AS AVENTURAS DA BLITZ 1, 1982 (EMI-ODEON).

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PENHA DE CASTRO · São Luís, MA
28/5/2013 · 0 · 0
 

O apresentador Flávio Cavalcante, em rede nacional, parte um disco de vinil ao meio, joga na lixeira, e esbraveja “lixo, uma porcaria, isso não vale nada!”, tudo diante da banda que acabara de se apresentar: jovens com roupas coloridas e penteados esquisitos. A atitude, que nos parece bizarra hoje, fazia parte de um quadro do programa do apresentador; a Banda era a “Blitz”, formada por Evandro Mesquita, guitarra e voz; Fernanda Abreu e Macia Bulcão, vocais; Ricardo Barreto, guitarra; Antônio Pedro Fortuna, baixo; William “Billy”, teclados; e Lobão, bateria, substituído mais tarde por Juba, jovens cariocas recém saídos da trupe do “Circo voador”, alguns eram ex-integrantes do grupo revolucionário e despojado “Asdrúbal trouxe o trombone”, que tinha no elenco gente como Regina Casé, Luis Fernando Guimarães e Patrícia Pillar, e; o álbum era “As Aventuras da blitz 1”, primeiro trabalho da Banda.
O que o Flávio Calvancante, que tinha como missão destruir midiaticamente as novas revelações da música, não sabia era que ali diante de seus olhos e despedaçado em suas mãos estava a semente, o embrião, do que seria o conceito de cultura pop e comportamento jovem que permearia no Brasil durante toda a década de oitenta.Contudo, a semente germinou, a “Blitz” se tornou um sucesso estrondoso, seria a referencia do “NEW WAVE”, ou “Nova Onda”, movimento que ditava o comportamento e a maneira de vestir dos jovens dos anos oitenta, e embalava as festinhas com o rock “mamão com açúcar”, e por outro lado, abriu as portas do mercado fonográfico para as bandas que já existiam e deram origem ao movimento Rock Brasil 80. Um medíocre ato de repressão foi o estopim da revolução musical que tomou conta do país na década de oitenta.
O álbum, que espantou e agradou a juventude de cara, tinha o gosto da novidade, a “Blitz” era diferente de tudo o que já se havia ouvido até então. Uma nova linguagem, um novo estilo musical, uma nova pegada e uma forma totalmente diferente de se escrever canções. As letras continham narrativas, contavam estórias, falavam de aventuras amorosas e picardias adolescentes, com linguagem teatral, dramatizavam as situações, havia diálogos dos personagens, etc.
As faixas “Você não soube me amar”, que narra um encontro casual entre um casal apaixonado que discute sobre batatas fritas e chopp e, “Mais uma de amor (Geme- geme)”, foram sucessos instantâneos. As faixas “Ela que morar comigo na lua” e “Cruel, cruel, esquizofrênico blues”, foram barradas pela Censura Federal, esta ultima por causa de um trocadilho com o “peru de natal”. O LP chegou nas lojas com as duas faixas inutilizadas por cortes de laminas.
O fato é que a Blitz fez sua história acontecer e fez acontecer a história do rock nacional. Questões qualitativas a parte, foi uma das mais importantes bandas do Rock Nacional Oitenta, seu sucesso foi tanto que rendeu um especial na Globo: “Blitz contra o gênio do mal (1984), ” e até álbum de figurinhas. Toma Flávio Cavalcante!!!

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