Às vezes sinto vontade de escrever sobre a realidade próxima, palpável, política e social. Mas tudo acontece tão rápido e tão a revelia da gente que, muitas vezes, desistimos quando mal começamos a primeira linha, que é a parte mais difícil. Todavia, ainda me sinto jovem especialmente enquanto escrevo, pois juventude, para mim, é não-desistir. Sinto-me jovem agora...
O MLST invadiu o Congresso e quebrou tudo! Um ato de terrorismo? Bom, certamente algumas pessoas ficaram aterrorizadas! Acho que até o “nosso” (sou baiano) inatingível Senador Antônio Carlos Magalhães, o ACM, também ficou aterrorizado, visto que em plena Tribuna do senado Federal, discursou veementemente reivindicando junto as Forças Armadas um Golpe Militar que evitasse “uma ditadura sindical comandada pelo presidente mais corrupto que já ocupou o Palácio do Planalto”. ACM defendeu que, diante de tal perigo, seria “melhor que se fechasse o Congresso”. Bom, posso disponibilizar o vídeo que registra tal discurso, mas se ninguém comentou o assunto, não serei eu a fazê-lo – afinal, são tantos os acontecimentos e se desenrolam tão freneticamente, que não temos tempo – ou não vale a pena – de nos preocuparmos com discursos de velhos senadores, deputados, chefes de quadrilhas, locutores de futebol, apresentadores de tv, do palhaço pipoquinha ou do bêbado da esquina. Deixemos isso pra lá.... de que assunto, então, falaremos? Futebol não! Vamos falar ainda do terrorismo, é tema importante. Afinal, quem de nós nunca viveu um momento de terror? Quando éramos crianças e tínhamos medo do escuro; quando assistíamos um filme sombrio; e quando, mesmo crescidos, vamos dar um passeio na rua e presenciamos um assalto (quando não o sofremos) ou ouvimos tiros (quando não nos ferimos); ou... bem, não faltam motivos que nos causem terror! E ainda bem que as guerras no oriente médio, as milhões de vítimas da AIDS, os milhões de famintos pelo mundo, tudo isso não nos aterroriza – apenas nos causa um certo desconforto pensar nisso. Ainda bem! São acontecimentos longínquos apesar da pequenez de nosso mundo.
Certo! Mas e no Brasil? e em minha cidade? Há algo que me cause terror? Não... já não tenho medo dos velhos mendigos de rua que comiam criancinhas – já não sou criança! E o MLST? O MST? E os tantos MS alguma coisa por aí? O que não falta é gente sem alguma coisa! Mas não tenho medo, desde que não invadam a minha casa.
Ora! Não fujamos! Confessemos que temos ainda alguns medos. Temos medo de morrer! Portanto temos medo dos pobres que viram ladrões (os ricos que viram ladrões não tememos e até votamos neles, mas o pobres...) e que, porventura, possam nos ferir, seqüestrar e até matar por conta de alguns trocados que tanto suamos para ganhar. Trinta milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza no Brasil! Isso é um jargão que ouvimos desde aquela convenção RioEco 92 eu acho, sei lá. Que esses milhões são uns coitados, isso são. Isso nos dói o coração enquanto assistimos a um telejornal qualquer. Mas que fiquem quietos e esperem que os políticos que elegemos lhes dêem oportunidades sociais com as famosas propostas de geração-de-emprego-e-renda (sempre julguei que esse termo era uma palavra única – na dúvida empreguei hífens). Mas por favor, vocês aí de baixo dessa linha, ou mesmo os outros tantos um pouco acima, não sejam violentos conosco porque tudo um dia vai dar certo. Não tumultuem nem prejudiquem a economia nem o risco país, senão tudo será mais difícil ... Não lavem o pára-brisa dos nossos carros nos semáforos porque temos pressa. Por favor, não nos assaltem, porque tenho família para criar e tenho medo de morrer!!
Ah, enfim confessamos que temos medo! Eu tive medo de não ser mais jovem em todos os momentos em que eu quis desistir de escrever esse texto para ficar apenas pensando...
Avante juventude! com medo, mas avante!
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