Projeto Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola realiza última visita desta edição
O professor Nazareno Gonçalves sempre encontra dificuldade para pedir alguns colegas a liberação das turmas com intuito de participar de alguma atividade cultural. Decidiu então criar uma frase como resposta: “Eu prefiro o barulho ensurdecedor da cultura do que o silêncio da ignorância”. E dessa vez o “barulho” feito na escola foi do Baião, da geografia e costumes do sertão condensados na linguagem universal de um sanfoneiro que saiu da cidadezinha de Exu e ganhou o mundo: Luiz Gonzaga do Nascimento.
Na tarde da última quinta-feira (04) alunos e professores do Instituto Federal Sergipano receberam o projeto da Caravana Luiz Gonzaga vai à Escola. Iniciativa realizada pela ONG Ação Cultural e contemplada pelo Prêmio Funarte do Centenário do Rei do Baião. A Caravana passava na sua décima e última escola e o professor Nazareno foi seu cicerone. “Percebemos que nas escolas que passamos é fundamental ter uma estrutura e ter alguém que desenvolva já alguma atividade cultural”, explicou Zezito de Oliveira, coordenador do projeto. Zezito, arte- educador, consciente da “fome” de cultura dos jovens e das escolas públicas, decidiu levar a escolas de Aracaju, Socorro e São Cristóvão uma caravana que contém exposição fotográfica, dança, música e palestra que tenha como principal fonte o “universo gonzaguiano”. “Percebi que as novas gerações veem Luiz Gonzaga como algo antiquado, arcaico e a Caravana ajudou a quebrar um pouco isso onde passou. O projeto ajudou a despertar o gosto por esse tipo de música”.
ULTIMA ESTAÇÃO?
O IFS, foi último estabelecimento de ensino que a Caravana passou nessa edição, mas Zezito espera organizar outras edições da Caravana Luiz Gonzaga. “Enviamos um relatório parcial para a Funarte e nos inscrevemos em mais um edital”. Na passagem da IFS quem iniciou os trabalhos da Caravana foi o professor José Augusto de Almeida. Colecionador e apaixonado pelo tema, José Augusto falou sobre a vida de Luiz Gonzaga, origem, família e a geografia de Exu. Uma palestra com raridades – como a versão de Luiz Gonzaga para a música de Geraldo Vandré “Pra não dizer que não falei das flores” – e curiosidades – como a versões para Asa Branca de grupos da Bolívia e da Coréia.
Atenta desde o começo da palestra, a estudante de química, Jessica Costa foi a única que teve coragem de fazer uma pergunta ao especialista. Queria saber a diferença do instrumento de 8 baixos e a sanfona. “Sou de Propriá, nasci na época de São João e sou apaixonada por essa cultura. Luiz Gonzaga é muito importante. Aonde ele passa deixa um pouco da cultura do nordeste”. Quem também esteve atento a palestra do professor foi Igor Maicon que cursa Edificações “eu assisti ao filme e aqui deu para esclarecer algumas coisas que não ficaram claras no filme. O palestrante mostrou muito preparo e trouxe boas fotos”.
COREOGRAFIA CANTADA
Fora do auditório foi montada uma exposição com mais de 30 fotos sobre o Rei do Baião: imagens coma família, ao lado do filho Gonzaguinha, das primeiras apresentações, nos tradicionais trajes de vaqueiro. Alunos observavam com o olhar curioso. Também fora do auditório estavam as meninas da oficina de dança da Ação Cultural. Elas aguardavam para fazer mais uma apresentação de coreografia inspiradas nas músicas de Luiz Gonzaga. Larissa Farias, de 13 anos, só tinha escutado Luiz Gonzaga na época de São João. “Foi a primeira vez que dancei Luiz Gonzaga”, disse Larissa.
A educadora Cristina dos Anjos explicou como foi feita preparação das meninas da oficina do bairro Coqueiral. “Trabalhamos a dança, as letras também como uma questão de cidadania. É bom mostrar um outro tipo de música que não seja somente arrocha ou pagode que tocam nas rádios”. Quem também faz parte do grupo de dançarinas foram as amigas Kelly Santos, Franety Santana e Jully Grace. As três se divertiam batendo fotos de celular e entre uma foto e outra explicaram porque gostam de dançar. “A oficina foi boa para saber mais da história de Luiz Gonzaga e desenvolver a mais a dança” afirmou Kelly e, ao lado, Franety completou “É uma forma de superar os limites e ver um ritmo de música diferente”.
O que Franety não imaginava é que essa história de superar os limites ia ser vivenciada na prática alguns minutos depois. Na hora de subir no palco para dar fazer a participação na Caravana aconteceu algo inusitado: um problema no som deixou as meninas sem música no meio da apresentação. A pausa e o silêncio não duraram muito. Decidiram cantar e dançar ao mesmo tempo. O público acompanhou nas palmas e a empolgando as dançarinas.
CASACA NO BAIÃO E BALANÇO CARAVANA
Para finalizar a tarde da Caravana Luiz Gonzaga, Joaquim Ferreira líder da banda Casa de Couro subiu no palco acompanhado de zabumbeiro e trinagueiro. Antes de apresentar um repertório exclusivo de “clássicos” de Luiz Gonzaga, uma breve aula de como funciona a sanfona e a importância do instrumento no forró. O público que começou com alguns tímidos casais dançando no final já estava fazendo até quadrilha improvisada.
O projeto da Caravana ainda fará um balanço do resultado das 10 escolas visitadas. Neste evento previsto para o final de abril será lançada a cartilha “Conhecendo o Nordeste com Luiz Gonzaga” voltada para educadores e o informativo impresso Diário de Bordo, além e do vídeo-documentário sobre a Caravana. O projeto Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola recebeu patrocínio da Funarte/Ministério da Cultura e do apoio cultural da Fundação Aperipê, Instituto Banese/Museu da Gente Sergipana, Banco do Nordeste, Sebrae e Centro de Criatividade.
"A educadora Cristina dos Anjos explicou como foi feita preparação das meninas da oficina do bairro Coqueiral."
Onde lê-se bairro Coqueiral, leia-se Conjunto Jardim.
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