Neste 22 de abril, fazem 508 anos que o Brasil foi “achado†por Pedro Ãlvares Cabral. Desde então, o colonizador europeu comandado pelos portugueses desenvolveu aqui uma civilização que, mesmo sem a intenção de ser um novo Portugal nos trópicos, em muito o copiou e até o superou.
O modelo de sociedade patriarcal, baseada no poder do chefe da “famÃliaâ€, transplantado dos estudos de Aristóteles desde a Antiga Grécia, foi o que mais marcou o desenvolvimento da nova colônia portuguesa tropical. E é bem aà que o Brasil, ou a criatura, superou seu criador.
Se Portugal continha os males desse modelo patriarcal enraizado na sua sociedade nos séculos das grandes navegações e os levou à s suas colônias, especialmente ao Brasil, hoje esses males estão superados com o paÃs alinhando-se à polÃtica da União Européia para garantir sua sobrevivência no grupo, especialmente pela sua condição de paÃs de baixa produção comercial.
Já nossa Terra Brasilis supera-se a cada dia para fincar cada vez mais fundas as raÃzes patriarcais ibéricas, contrariando a tese de Sérgio Buarque de Holanda, que em sua célebre obra RaÃzes do Brasil (1936), apontava a urbanização e industrialização do paÃs como ponto de ruptura com esse arcaÃsmo ibérico e o desenvolvimento de uma nação vanguardista na América Latina, como havia acontecido com os EUA já há mais de 200 anos (na sua independência em 1776).
O homem cordial e aventureiro descrito por Sérgio Buarque como o tipo brasileiro da colônia e do Império, continua mais vivo e atuante do que nunca. Bastam poucos minutos de reflexão para se encontrar no nosso cotidiano, inúmeros desses tipos, a começar pela nossa brilhante classe polÃtica com suas peripécias e escândalos quase que diários. Mas tem muito mais.
O funcionalismo público que toma como seu o patrimônio público; as estruturas polÃtica e partidária, que abrem caminho para a fisiologia e o apadrinhamento nos cargos públicos e até privados, no recente caso das ONGs subsidiadas pelo Estado.
A pirataria desenfreada de tudo o quanto é possÃvel ser “clonadoâ€; a situação do trabalhador que prefere esconder-se na informalidade que submeter-se a leis pretensamente feitas a seu favor, mas que só protegem os grandes empregadores.
A miscigenação praticamente total da população, que mesmo assim exclui o negro e pobre não apenas do seu convÃvio, mas dos bancos das universidades e dos altos cargos; o trabalho escravo ainda presente em diversas regiões do paÃs, e o trabalho em condições precárias em todas as regiões.
O espaço seria pequeno se continuasse buscando os exemplos de como aquele antigo patriarcalismo português é mais jovem e influente do que se tem noção. Bem, mesmo negativamente, esse é um caso talvez único no mundo, onde a colônia aprendeu direitinho todos os ensinamentos do colonizador e, levados a sério, fizeram-na suplantar o professor.
EM TEMPO – os efeitos na atualidade, do modelo patriarcal de colonização aqui implantado pelos portugueses foi tema de estudo em curso de pós-graduação (especialização) que realizei ano passado, em História do Brasil, baseando-se na obra RaÃzes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.
Rapaz,
deixa eu votar, desejo sobremodo os (no mÃnimo 70 pontos)
Teu artigo é bem conduzido. Mas gostaria de dar uma pitada, não contestando nada, talvez acrescentando.
um abraço,
andre.
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