TEXTO DO PRÉ-SITE, PUBLICADO EM 23/02/2006 - Por aqui é assim. Só fica na cidade quem não quer ver a banda passar. A prefeitura tenta reanimar o cadáver carnavalesco da capital mineira, de tempos em tempos. A crise do carnaval belorizontino é tanta que já virou até assunto de seminário.
De acordo com Jota d'Angelo, um dos maiores carnavalescos de Minas Gerais, o esvaziamento se dá pela decadência (praticamente morte) da identidade do carnaval belorizontino. Até o fim da década de 70, a capital mineira era conhecida pelos seus blocos caricatos. Era essa a principal caracterÃstica e diferenciação em relação aos carnavais do Rio de Janeiro, Recife e Salvador. O bloco é uma invenção dos mineiros. Nele, os foliões, com rostos pintados, se locomovem por diversos bairros da cidade em cima das carrocerias de caminhões. Hoje os blocos estão em extinção. Há 30 anos, eram mais de 70 na cidade. O número atual não chega a dez (alguns resistem como Demônios do Santo André , Os Inocentes de Santa Tereza, Invasores do Santo Antônio e os Aflitos do Anchieta). A razão? Falta de organização e descaracterização dos blocos e descaso da prefeitura.
O silêncio da capital durante a próxima semana pode ser atribuÃdo também ao fato de que boa parte das pessoas que mora por aqui é originária do interior e para lá retorna nos feriados prolongados. Mas de acordo com d'Angelo, até a tradição de cidades importantes como São João del-Rei está morrendo. ?O padrão criado pelas escolas de samba do Rio de Janeiro e pelos trios elétricos de Salvador foi a ruÃna dos nossos blocos tradicionais?, afirma.
Entre os 32 grupos da cidade, três são fundamentais na festa são joanense: Copo Sujo, Unidos da Cambalhota e Chácara. Todos os três com bateria e sambas próprios. Outro bloco tradicional era o Pão molhado (na cachaça, como todo bom carnavalesco). Mas a tradição do samba tem perdido lugar para o axé e o funk As baterias e músicas próprias estão sendo trocadas pelo som mecânico, a cada carnaval. O Copo Sujo e ?Cambalhota? são sÃmbolos da ?resistência?. A concentração do primeiro será na Praça Guilherme Milward (Praça do Bonfim), amanhã, à s 20 horas. Já o segundo se reúne na Praça Frei Orlando, sábado, à s 16 horas. Acesse a programação no site e não deixe o carnaval morrer.
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