CIRCUITO ME ACHE DE SURF E BODYBORDING - ILHÉUS/BA

Débora Maria Macedo
Saulo Marques, simplesmente detonando.
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Débora Maria Macedo · São Paulo, SP
13/5/2014 · 3 · 1
 

A primeira edição do CIRCUITO ME ACHE DE SURF E BODYBORDING realizado em Ilhéus nos dias 26 e 27 de abril de 2014, pode ser dividido, como tudo, em três etapas básicas: antes, durante e depois. Geralmente, seguimos a regra de Aristóteles ao narrar um episódio, mas é não é crime inverter, misturar, fazer digressões, como queira o gosto e o que sente o escritor (neste caso uma com forte mão jorgeamadeana). Comecemos, pois com...

... O DEPOIS

Em termos práticos, a iniciativa encerrou suas atividades com os seguintes resultados:
Na categoria Surf, os classificados, respectivamente, do 1º ao 4º lugar foram: Taiwan Chan, Walace Jr., Saulo Marques, Daniel Oliveira.

Na categoria Body, os classificados, respectivamente, do 1º ao 4º foram: Murilo Silva, Darlan Tourino, Felipe Rodrigues, Rômulo Santos.

Todos os premiados foram contemplados com kits de roupas de surf e com exceção às felicitações aos vencedores poderíamos finalizar por aqui tudo o que representou mais esse campeonato de surf em uma cidade praiana.

O Evento foi fotografado por Manuel Benavides, especializado em clicar eventos do gênero. Para maiores informações sobre as imagens capturadas por ele (com maestria) favor acessar: www.facebook.com/manuelbenacali

PORÉM...

... a primeira edição do O CIRCUITO ME ACHE DE SURF E BODYBORDING, foi além, em todos os sentidos.

Para início de “conversa†o evento foi realizado na praia do Me Ache, uma grande extensão de mar separada da terra por uma bancada de areia e uma fortaleza de arrecifes. Há momentos específicos que favorecem o surf e body neste local, portanto, o circuito necessitou adaptar-se a esses horários. Além disso, nos dias em que o evento foi realizado, as condições do mar eram muito instáveis. Soprava um vento sul fortíssimo o que obrigada os atletas a retornarem constantemente ao local determinado para a competição, exigindo esforço físico além do normal de um dia comum de surf.

Esse fato mostra a determinação dos competidores e o grande preparo físico de alguns, mostrando o grande valor de todos os participantes, e enaltecendo ainda mais a conquista dos quatro classificados nas duas categorias.

O ANTES

O evento deve ser lembrado e mais que comemorado, por muito tempo. Quem sabe assim seja possível entender que Ilhéus, para além do secular potencial agropecuário, extrativista, turístico (muito mal aproveitado – grifo meu). Para além da estátua de Jorge Amado e do legado que sua literatura deixou ao povo da cidade, o esporte mostra, ainda por força da união de pequenos grupos, uma possibilidade de renovação para esta cidade.

O campeonato do qual falamos agora nasceu da teimosia, persistência e crença de três homens: Alexandre “Xande†Evangelista, funcionário da administração pública e admirador do esporte; Jorge Sá, bodyboarder e árbitro de campeonatos do gênero na Bahia e no Brasil e do jovem João Vítor, estudante e primo do Lucas. Aí você me pergunta, que Lucas?

O antes do ANTES

Bom, Lucas Rodrigues é o “antes do ANTESâ€, é o motivo da primeira edição do CIRCUITO ME ACHE DE SURF E BODYBORDING. Atleta classificado como vice-campeão da categoria sub 16 em campeonato anterior em Itacaré (paraíso na terra, sul da Bahia), o que o tornou apto a concorrer, na mesma categoria, em um junho, no estado do Rio de Janeiro, cidade do Rio das Ostras. Há muito Lucas vem competindo e obtendo boas colocações em campeonatos pela Bahia. Segundo ele, quase todos os prêmios que ganha são convertidos em equipamentos e em financiamento para participação em mais competições. Foi a classificação no campeonato de Itacaré que lhe rendeu o uma prancha de bodyboard profissional com o qual concorrerá no Rio. Mas não é o bastante e aí voltamos ao ANTES.

Voltando ao ANTES

A ALJ (Alexandre, Lucas, Jorge e João Vítor – sim, Lucas também foi um dos organizadores do evento), correu toda a cidade de Ilhéus em busca de apoio para o evento, cujas inscrições e “patrocínios†poderiam garantir a ida do bodyboarder ao Rio de Janeiro. Na última vez que falei com Alexandre, a lista de colaboradores constava como segue (por ordem alfabética): Aloha, Art Screem, Hawaí Surf Shop, Mar Aberto, Mary e Gugui, Pizzaria Pinóquio, Sorveteria Péricles, Terral, Viviane Confecções. Quaisquer outros que tenham colaborado posteriormente com o evento e com a ida de Lucas Rodrigues para a competição no Rio de Janeiro serão citados nos comentários deste artigo.

O que surpreende na referida lista é a ausência de mais nomes de empresários que tiram seus lucros da venda de produtos esportivos, em especial, voltados ao surf e o bodyboarding. Em contato com a Câmara dos Diretores Lojistas de Ilhéus, fui informada que associadas ao referido órgão há 184 lojas de artigos esportivos (roupas, equipamentos etc).

Todavia, segundo o Sr. Marcus Vinicius Bastos Acácio, Gerente Relacionamento e Negócios do CDL de Ilhéus, este número é muito maior, pois há empresários desse segmento que não são associados ao órgão.

De fato, uma rápida caminhada pelos centros comerciais da Cidade, possibilita a verificação da grande quantidade de comerciantes autônomos e lojas de artigos esportivos voltados exclusivamente para a venda de produtos para modalidades aquáticas, especialmente o surf e o bodyboarding.

Contudo, entre os apoiadores do evento em questão temos comerciantes que necessariamente nada têm a ver com “as ondasâ€. Um deles, Mary e Guigi, chama a atenção, por se tratar de trailer que vende ... tapiocas. Nada contra tapiocas e nada contra o grande potencial de visão de todos esses empresários que investiram nesse evento.
Aliás, por favor, Senhores, permaneçam acreditando, isso não deixa de servir de incentivo aos estabelecimentos comerciais, cujos lucros advêm do esporte, vislumbrarem benefícios para ambas as partes ao apoiarem iniciativas como essas. Vale aqui ressaltar que Aloha, Hawai Surf Shop e Terral são estabelecimentos comerciais que lidam com artigos de surf bodyboarding e apoiaram o evento.

Outro apoio que não pode ser esquecido foi o da Dona Gilca Costa Góes (Vica Doceira), Dona China e Dona Maura, moradoras do pico, que contribuíram com o cafezinho e o biscoito no segundo dia do evento e a todos da comunidade de Nova Brasília e do Me Ache que, de alguma forma ajudaram a comissão organizadora nessa primeira empreitada tão bem sucedida.

O DURANTE

Enquanto os atletas de cada bateria mostravam seu desempenho (e marra, lembrem-se das condições do mar), conversei com outros que aguardavam sua vez ou que acabavam de competir.

Pessoalmente descrevo essa experiência muito enriquecedora, pois os entrevistados foram surpreendentes em suas colocações, expectativas de vida e respondiam às perguntas ao passo que dividiam a atenção com o desenrolar do campeonato, torcendo e avaliando os atletas no mar. Transcrevo as conversas abaixo por ordem alfabética:

ANDRÉ VÃTOR, 14 anos (3 dedicados ao surf), local de Ilhéus, Av. Nossa Senhora Aparecida, surfa no "pico" Renascer. Cursa o 7° ano do Ensino Fundamental II e pretende seguir Carreira nas Forças Armadas – Marinha.

AUGUSTO LEAL, 15 anos, (3 dedicados ao surf), local de Ilhéus, Bairro Nova Brasília, surfa no "pico" Me Ache. Ajuda o pai na peixaria, deseja ser mergulhador e cursar Biologia Marinha.

CLÉO BASTOS, 25 anos, (13 dedicados ao surf), local de Ilhéus, Bairro da Conquista,surfa no "pico" Catedral (Avenida Soares Lopes).Dedica-se ao Surf, tem o incentivo de uma loja local para praticar. Quando acreditar ser a hora de deixar de concorrer, pretende estudar Biologia.

DANIEL OLIVEIRA,23 anos (10 dedicados ao surf), local de Olivença,surfa nos "picos" Backdoor, Batuba. É vendedor autônomo de roupas e artigos de surf.

DAVI OLIVEIRA,21 anos (5 dedicados ao surf), local de Ilhéus, Bairro da Conquista, surfa no "pico" Catedral (Avenida Soares Lopes).Exerce a função de eletrotécnico.

EDGARD SOUZA, 24 anos, (7 dedicados ao surf),local de Ilhéus, Bairro Princesa Isabel, surfa no "pico" Catedral (Avenida Soares Lopes). É pescador, exerce função de cozinheiro marítimo (curso técnico) e mostra-se bastante preocupado com o impacto da construção do Porto Sul na atividade pesqueira, em especial de camarão.

JADSON SILVA, 19 anos, (7 dedicados ao surf), local de Santo André (BA), mas morando há pouco em Olivença, surfa nos "picos" Backdoor, Batuba. Pretende cursar Ed. Física. Atualmente dedica-se à atividade de Shaper e a ensinar Capoeira.

JUNIOR BASTOS, 26 anos (11 dedicados ao surf), local de Ilhéus, Av. Itabuna, surfa no "pico" Catedral (Avenida Soares Lopes). É Auxiliar Administrativo (Prefeitura de Ilhéus). Cursa duas Universidades: Ed. Física (UESC) e Nutrição (Fac. De Ilhéus)

SAULO MARQUES,21 anos (9 dedicados ao surf), local de Ilhéus, Bairro do São Miguel, surfa no "pico" Praia do Norte. Até 12/2013 trabalhava no Porto de Santos (SP) como movimentador de açucar (estivador), busca recolocação profissional em Ilhéus, objetivando um apoio para que se dedique integralmente ao surf.

E AS MULHERES? NÃO COMPETIRAM?

Bom, a organização do evento informou que inicialmente pensou apenas em um campeonato somente para homens, pois, conhecedores do pico em questão (Me Ache) disseram que pouquíssimas são as surfistas e bodyboarders que se enfrentam o desafio de pegar ondas ali. Não pelo mar em si, mas pelas pedras.

Porém, durante o tempo em que morei em frente à praia do Me Ache, observei que há uma garota que mora no local e pratica surf ali, mas infelizmente, até o fechamento do artigo, não consegui contatá-la. Contudo, eis que no dia do evento, encontro Carol Garrafo, artista circense e produtora de eventos, natural de Buenos Aires, iniciando no surf e aventurando-se nas ondas do pico da competição entre uma bateria e outra.

Ela disse que as pedras não a assustaram e que assim que sentir segurança como praticante de surf, participará sim de novas edições do Circuito Me Ache de Surf e Bodybording.

E O DEPOIS DO DEPOIS?

Pois é, e agora? Alexandre “Xande†Evangelista da ALJ, informou que o saldo do evento foi positivo. Obtiveram bons resultados apesar das dificuldades e o próximo campeonato está previsto para SETEMBRO/2014.

A intenção da organização do evento em dar continuidade a ação e incluir o campeonato entre os muitos que ocorrem na região, revela que o que começou com uma tentativa de unir forças para apoiar um atleta local, pode se desmembrar em diversas iniciativas que só trarão benefício para a cidade de Ilhéus:

1.Capacidade de mobilização de uma categoria e incontáveis benefícios decorrentes de tal organização;
2.Estabelecimento de mais um pico (regional, nacional e - quem sabe? - internacional) para a realização de campeonatos de surf e bodybording;
3.Descoberta e possibilidades para mais atletas;
4.Investimento de mais comerciantes, ampliando a área de atuação de cada empresa, divulgando suas marcas e obtendo o retorno garantido que toda propaganda positiva gera;

Paro aqui de elencar os benefícios, pois este artigo se tornaria mais longo do que está. Gostaria apenas de salientar mais um ponto: vivi em Ilhéus dos 6 aos 16 anos (1983 a 1993) e acompanhei o apogeu e a queda dos grandes latifúndios de cacau. Perdoem-me a franqueza, mas já naquela época, a própria Cidade se assemelhava à maioria das grandes fazendas da região: cuidadas de longe pelos seus “proprietáriosâ€, uma vez que a riqueza do extrativismo vegetal parecia líquida (bruta nesse caso) e certa. Deu no que deu, né?

O quadro apresentado pela cidade hoje em dia revela uma mudança mínima dessa situação. Cumpre ressaltar que o atual prefeito reside em Salvador e não na cidade que “administra†(o fato não é ilegal, mas e moralmente falando?).

Atualmente Ilhéus encontra-se entre duas grandes potências: Itabuna – com seu centro comercial cada vez mais em expansão e culturalmente fervilhando graças à atuação de um grupo capitaneado por Eva Lima, atriz e produtora cultural; Itacaré, do outro lado, um excepcional e diversificado polo turístico que em um curto espaço de tempo tornou-se roteiro obrigatório para àqueles que desejam usufruir as belezas naturais ou uma vida noturna para todos os gostos (ao menos na alta estação).

Vejo as esperanças de muitos dos Ilheenses residirem na construção do Porto Sul e do Complexo Modal. Todavia, de que modo tais empreitadas impactarão positivamente na vida dos que moram, trabalham ou tentam sobreviver na cidade de Ilhéus? Fala-se na geração de empregos e obtenção de muitos benefícios. Que tipo de empregos, super empregos ou subempregos? Que tipo de benefícios e para que segmento social? Ainda, benefícios para um grande ou pequeno grupo local, ou de fora da Cidade, do Estado ou do País?

A iniciativa empreendida pelos organizadores do CIRCUITO ME ACHE DE SURF E BODYBORDING se apresenta como uma excepcional referencia de mobilização da sociedade civil organizada em benefício de uma causa. Será que o querido povo ilheense não deveria se espelhar mais em ações do gênero, organizando-se e tornando realizáveis as demandas de cada grupo e indo além, demonstrando força e capacidade de ação da sociedade civil, obtendo benefícios concretos a serem realmente usufruídos por aquela comunidade? Além disso, sacudindo o poder público, fazendo-o cumprir o que foi o dever com o qual se comprometeu, mas que vem negligenciando sistematicamente - conforme ouvi dos muitos cidadãos da cidade com os quais tive o prazer de conversar nos três meses que estive em Ilhéus.

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Carol Burgo
 

Moro em Rio das Ostras (RJ) gostei de saber que vai ter campeonato aqui também. Boa sorte para o Lucas Rodrigues.

Carol Burgo · Rio das Ostras, RJ 13/5/2014 23:10
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