Cobertura Eleições 2006

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Rodrigo Manguaça · Belo Horizonte, MG
19/10/2006 · 1 · 0
 

No último domingo, dia 1° de Outubro de 2006 aconteceu o que quase ninguém acreditava, mas "todos", com exceção do PT é claro, gostariam que acontecesse, o segundo turno para o cargo de Presidente da República. Dentre este "todos", podemos sem dúvida nenhuma, incluir a imprensa de todo o país.
Há um certo tempo a mídia já dava como certa a vitória do candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, e era isto que mostravam as pesquisas, insistentemente veiculadas quase todos os dias perantes os olhos e ouvidos do povo brasileiro. Entretanto as eleições para os pleitos de Presidente, Governadores, Senadores e Deputados Federais e Estaduais, ao contrário do que se esperava, trouxeram inúmeras surpresas, algumas gratas, outras nem tanto. A eleição para presidente não foi decidida em primeiro turno e em vários estados, candidatos que disputavam o governo tidos como favoritos ou já reeleitos, sequer conseguiram uma vaga no segundo turno. Por outro lado muitos candidatos que foram alvo de denúncias de corrupção no governo Lula e outros personagens conhecidos e que já deveriam ter sido banidos do cenário politico, foram eleitos para ocupar cadeiras na Câmara Federal ou nas Assembléias Contituintes de seus respectivos estados.
Devido a denúncias de corrupção e escândalos envolvendo vários políticos, a população se mostrou pouco interessada em relação a este pleito. Parece que este descrédito acabou se refletindo nos próprios veículos de comunicação, que não foram capazes de ser duros e críticos, investigando e mostrando a realidade que assola a política de nosso país. A imprensa preferiu seguir o manuscrito do “bom companheiro” e não fazer nenhum tipo de ataque veemente, talvez por acreditar que nas últimas vezes que o fez, obteve o repúdio de grande parte da população.
O que é de se espantar, é que a mesma imprensa, por muito menos, já foi capaz de praticamente derrubar a candidatura do próprio Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições em 1989. Logo após, ao se sentir pressionada, foi capaz de tomar as rédias do impeachment do então Presidente Fernando Collor de Mello, outro que após 14 anos, está de volta ao centro do poder político, dessa vez como senador eleito de Alagoas.
O que fica evidente é que o caso do dossiê, elaborado por integrantes do PT para tentar incriminar os candidatos tucanos, salvou em parte a cobertura que a imprensa brasileira vinha fazendo até o momento de umas das eleições que possuía em si, uma grande concentração de informações contraditórias e midiáticas capazes de tornar este pleito, um dos mais acirrados e interessantes de todos os tempos.
De certa maneira, a ausência do candidato Lula ao último debate na TV Globo, também não agradou, e talvez aí a imprensa, principalmente a emissora carioca, encontrou a deixa para fazer uma crítica aberta ao candidato do PT.
Curiosamente, este erro de estratégia por parte do candidato do PT e seus aliados fez com que o eleitorado, ainda a tempo, acordasse, e desta forma, numa inversão de papéis, injetou um novo ânimo na imprensa brasileira, que agora se vê na obrigação de cumprir o seu dever perante a sociedade.
Até o momento, o que se notava era que nenhum veículo de comunicação foi suficientemente competente para explicitar ao povo brasileiro o que se passa nos corredores do poder, principalmente depois de tantos escândalos e denúncias.
Quem são os verdadeiros culpados? Quais são as penas que os mesmos terão que cumprir por terem agido contra a nação a qual eles representavam? Onde estão aqueles que foram considerados culpados, ou pelo menos serviram como bode expiatório? Muitos deles se candidataram e estão de volta ao cenário político, e a grande parte da população não foi informada sobre isso. Isto sim pode ser considerado um des-serviço da imprensa perante ao seu público, pois é sua obrigação informar, em detalhes, tudo aquilo que é fato e de interesse para a sociedade.
Felizmente, a sabedoria popular (da qual o candidato Lula debochou em entrevista, quando constatou que seria necessário a realização do segundo turno), fez com que os “não sábios” eleitores fossem as urnas e optassem, através de sua vontade representada pelo voto, que os principais candidatos voltassem a se enfrentar em um segundo turno das eleições para presidência.
Assim o tempo será aliado do eleitor e muitas coisas ocultas poderão ficar claras ao povo brasileiro. Ao mesmo tempo, o que se espera agora é um debate de idéias entre os dois candidatos, coisa que não aconteceu e muito menos foi instigado pela imprensa durante o primeiro turno.
A torcida fica para que a busca da verdade dos fatos e as investigações sobre escândalos e corrupção, sejam a principal pauta dos veícuos de comunicação e possam, enfim, elucidar o eleitorado. Talvez o segundo turno traga este valor, o da esperança e a expectativa de que a imprensa realmente exerça seu papel.
Sem se preocupar em prejudicar ou ajudar ninguém, mas com a responsabilidade de esclarecer ao eleitor quem são aqueles que estarão no comando do país nos próximos 4 anos.

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