Olinda, na Região Metropolitana de Recife (PE) é o cenário, e o Coco de Umbigada é o som e a arte que mobiliza a comunidade local que frequenta as atividades do Ponto de Cultura Coco de Umbigada, reconhecido assim pelo Ministério da Cultura desde 2004.
A relação da comunidade com o Coco de Umbigada remonta muitos anos, quando, no século passado os Mestres Coquistas João Amâncio e Zé da Hora promoviam a Sambada de Coco na comunidade de Paratibe, no municÃpio de Paulista. Com a morte dos Mestres, o Coco ficou adormecido por quase 40 anos. Vendo a importância de recuperar a arte do Coco e promover ações culturais na comunidade onde vive, Beth de Oxum, Ialorixá do Terreiro Ilê Axé Oxum Karê, e gestora do Ponto de Cultura Coco de Umbigada, trouxe a brincadeira do Coco para dentro do seu terreiro. “Voltar a fazer o Coco na comunidade elevou a nossa auto-estimaâ€, comentou Beth.
O Ponto de Cultura Coco de Umbigada trabalha a inclusão social de jovens em situação de vulnerabilidade social da comunidade do Guadalupe e seu entorno. Este bairro representa uma das maiores densidades demográficas e baixo IDH da cidade de Olinda. O Ponto também promove a preservação da memória e a difusão da cultura negra e afrodescendente, ampliação dos direitos humanos, perspectiva e empoderamento profissional pela cultura e educação.
Dentre as atividades desenvolvidas pelo Ponto de Cultura, estão a organização de Oficinas, o Cineclube MacaÃba e a Rádio Amnésia. “Quando a comunicação não contempla a realidade, temos que achar outras formas de nos comunicar e de divulgar nossas ideias e culturaâ€, explicou Beth. “Precisamos nos apropriar das tecnologias para fazer uma nova Comunicaçãoâ€, acredita a Ialorixá, que também destaca os trabalhos do Ponto de Cultura ao realizar palestras sobre Rádio livre, cultura popular, cultura digital, religiosidade de matriz africana. “Nosso Ponto de Cultura também tem um Telecentroâ€, contou Beth. “Temos máquinas conectadas à internet. Lá os alunos não aprendem apenas como usar a tecnologia, mas discutem temas importantes na área, como a importância de usar o Software Livre, e aprendem também a desenvolver projetos que ajudem a transformar a sociedadeâ€, explica.
O Coco de Umbigada foi um dos vinte Pontos de Cultura selecionados no Edital para Produção de Documentários do Laboratório Cultura Viva (www.labculturaviva.org). Agora o Ponto de Cultura também se dedica a produzir uma série de documentários, que serão exibidos ano que vem pela Revista Eletrônica Cultura Viva, juntamente com as produções de outros Pontos selecionados espalhados pelo paÃs.
“No total serão produzidos quatro vÃdeos que dialogam entre si. O primeiro vÃdeo fala sobre a Sambada e entre vários aspectos, sobre como esse movimento aproxima as pessoas. Também fala sobre a importância do maracatu, do coco, da dançaâ€, explicou Beth.
O segundo vÃdeo dá enfoque ao Tambor, e toda a espiritualidade que ele evoca quando tocado. “Neste vÃdeo falamos sobre a arte de tocar o Tambor, que é passada de pai para filhoâ€, diz Beth.
Agora a equipe está gravando o terceiro documentário, cujo tema são as crianças. “Não queremos mostrar as crianças trancadas em seus apartamentos. Falamos das crianças livres, que brincam, que vão ao terreiroâ€, comentou a gestora. O último tema a ser tratado será Mulheres. Beth destaca o foco do vÃdeo. “Queremos mostras as mulheres guerreiras, anônimas, que levam a Cultura à ultima instância, que são força espiritual.â€
“Trabalhar com o Lab Cultura Viva nesse projeto é maravilhoso e abre portas fundamentais para divulgar a verdadeira Cultura brasileira. Não essa cultura de plástico, de laboratório, fabricada, que vemos na televisão. Produzir conteúdo para TV Pública é ótimo, por que vamos mostrar para o paÃs o que eles não conhecem sobre nossas próprias raÃzes. Eles não conhecem a cultura dos terreiros, por exemploâ€, enfatizou Beth.
Muito além da produção de vÃdeos ou da promoção das Sambadas de Coco, Beth, assim como seus companheiros de trabalho, vêem o Ponto de Cultura como agente transformador da sociedade. “Com esse projeto, e com esses documentários, queremos romper com os paradigmas lançados pela grande mÃdia e fazer com que o povo se aproprie da tecnologia e também passe a fazer produções independentesâ€, finaliza a Ialorixá.
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