A Wikipédia explica que coque é um combustível derivado do carvão betuminoso. “Começou a ser utilizado na Inglaterra do século XVII, e é obtido do aquecimento da hulha (ou carvão betuminoso), sem combustão, num recipiente fechado. Pode ser utilizado na produção de ferro gusa (alto forno), sendo adicionado junto com a carga metálica”.
Sinto em contrariar os alfarrábios pós-modernos, mas, para a maioria dos recifenses, Coque é outra coisa. É um dos bairros mais mal falados da cidade, principalmente nos noticiários policiais. É também a região com o menor índice no Atlas de Desenvolvimento Humano do Recife. Ou seja, significa perigo, sujeira, miséria, e todos os demais clichês impostos às periferias.
Por tudo isso, só o fato do Coque ter sido escolhido como nome de um jornal universitário já é motivo de atenção. Participaram do Coque 28 estudantes 6º período de Jornalismo da UFPE, sob orientação da professora Yvana Fechine.
O lançamento do jornal-laboratório é dia 19 de setembro, no campus da UFPE (vide mais informações na agenda), com várias horas de programação, com debates e show diversos.
Interlúdio musical: “A cidade não pára...” (Chico Science)
Que me desculpem a sinceridade: salvo exceções, os jornais-laboratório do curso de jornalistmo uéfepeano vinham sofrendo das pernas. Lembro do que via quando frenquentava a faculdade. Os jornais ou simulavam a mídia impressa local (se é pra copiar, pra quê a escola?), ou eram tão experimentais que se comunicavam com quase ninguém.
Ainda não li Coque, mas ele tem tudo pra quebrar com a "tradição" acima. No editorial, o grupo declara ter construído "um novo olhar sobre o Coque". Dizem partir de um compromisso com a comunidade, sem deixar de lado a necessária visão crítica para produzir informação. Para tanto, passaram dois meses imersos na realidade de lá.
Outro aspecto digno de nota: as páginas do Coque não ocultam o processo de criação, tão colaborativo quanto as possibilidades da web. Os textos foram produzidos pelos graduandos (na busca de pautas e enfoques que a mídia grandona se recusa a adotar) e por jovens da comunidade, em histórias de resistência, movimentos culturais e problemas do cotidiano.
Eu já tive a oportunidade de ler o Coque. Tem umas matérias bem legais. Numa delas, descobri que a favela tem seu próprio festival de bandas, já que elas não conseguem se aproximar do centro. Acontece durante o natal! =)
Bruno Nogueira · Recife, PE 16/9/2006 07:55Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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