E quando a gente sempre passa perto de um lugar, mas nunca entra? E quando esse lugar está repleto de cultura e, ainda, cultura popular? AÃ, a gente pára para pensar “Bem que eu poderia ter tempo pra dar uma olhadinha...â€. Bom, foi isso que aconteceu esta semana!
Procurando um tema pra postar meu primeiro texto aqui no Overmundo, já que eu “enrolei†meio século pra postar algo, encontrei a seguinte programação: Curta no Museu.
O fato é que eu passo por esse Museu (que é o Museu da Universidade Federal do Pará) todo santÃssimo dia pelo menos quatro vezes e sempre aquela coisa: passava, via o papel com a programação, mas nunca parava pra ler direito, pra ver. Nunca parei e pensei “Hoje eu venho!â€. Muito pela falta de tempo que me acomete nesse perÃodo de final de ano, mas também por não me interessar. E olha que eu amo cinema! Já cansei de dar meu jeito pra ir a eventos de menor porte, mas que eram de meu interesse, porque não, então, conferir a programação de curtas locais e nacionais que acontece toda terça-feira no jardim do Museu?
Muita gente, assim como eu, sempre passa por lá, vê as cadeiras, vê o telão, mas não pára pra ver o que é ou não se interessa. Eis que surge um paradoxo: porque tantas pessoas falam que não tem “direito†à cultura quando existem tantos eventos com entrada franca, quando a cultura está ali, presente, mas mesmo assim as pessoas não correm atrás de informações, de datas, de locais, de programações em si?
A entrada é franca, mas não fica aquela coisa que, pelo menos aqui no meu Estado, sempre acontece em eventos de grande porte gratuitos: um mar de gente. Algumas cadeiras brancas colocadas frente a um telão, em um jardim, com o clima agradável da noite paraense, recheada de curtas locais e nacionais.
O evento é uma realização do Instituto Amazônia Imaginária em parceria com o Museu da UFPA e acontece da seguinte forma: de janeiro a junho, os organizadores, por parte do Amazônia Imaginária, procuram patrocÃnio (que é difÃcil de ser encontrado), e de julho a dezembro, eles passam os curtas. O pessoal do Amazônia Imaginária seleciona os curtas, entra com o material necessário para que o projeto aconteça e o Museu da UFPA cede o espaço fÃsico.
Conversando com a coordenadora do projeto, percebi que é uma constante a falta de divulgação, por faltar recursos mesmo e não interesse. Na última sessão que ocorreu, conversando com Gilcely Oliveira, coordenadora do projeto e produtora associada do Instituto Amazônia Imaginária, ela disse que é um público restrito que freqüenta o evento: basicamente, os cinéfilos de Belém. Ah, vale lembrar que a iniciativa toda, “Curtas no Museuâ€, surgiu com o Festival de Belém de Cinema Brasileiro e com a iniciativa de pessoas que gostam mesmo de cinema e adoram ajudar, como a Gilcely.
Algumas pessoas que estavam presentes e que me deram um pouco de atenção, disseram que os filmes são muito bem escolhidos e que é disso que o Pará precisa, de iniciativas como essa, de levar cultura para o povo, em uma linguagem completamente aberta. Não é à toa que o evento todo ocorre em um jardim, de portas abertas ao público, e não em uma sala de cinema, com ar-condicionado etc. Aquela coisa boa mesmo de se ver: pessoas rindo dos causos contados, das aparições às vezes bizarras de personagens ou histórias que a gente nem imagina existir!
Os curtas são ótimos e falam sobre questões que vão desde compra de votos, como uma história de amor e ódio ou de um bode que é mascote de uma pequena cidade. Os filmes são parte de uma iniciativa que visa a mostrar, com documentários ou pequenos filmes, a vida, a cultura, os patrimônios materiais ou imateriais de municÃpios de até vinte mil habitantes e que divertem o povo do interior, e da cidade também.
Fica aqui a preocupação com a cultura popular e como essa cultura vem sendo repassada para os interessados. Não só no estado do Pará, mas em todos os outros lugares cheios de cultura, de histórias, de "causos", de fatos etc. Espera-se, então, abrir alguns poucos ou muitos olhos para essa história toda de procurar eventos, de participar de iniciativas, de buscar pessoas que trabalhem com isso, de ir a um site ou pegar o jornal para ver o que vai acontecer na sua cidade esse final de semana.
Aqui fica, também, o questionamento: você não está passando tempo demais em casa, tempo demais trabalhando, estudando e deixando de se maravilhar com a cultura do lugar onde você vive?
Até a próxima, crianças!
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