Cyndi Lauper na Via Funchal

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Lefebvre de Saboya · São Paulo, SP
19/11/2008 · 32 · 0
 

Cyndi passa no dia 15 por Belo Horizonte, 17 em Curitiba, e 20 em Porto Alegre. Se você quer gastar uma grana num ótimo show (e acha que para fazer cover do REM é necessário ter um derrame), vá ver. Aos 55 cinco anos, Cyndi Lauper dá um show em muita Maria Rita que aparece por aí.

“Mas, Lefebvre, que diabos você foi fazer num show da Cyndi Lauperâ€, pergunta o leitor mais inocente. Não é da sua conta, respondo, só apareci lá e realmente não me arrependi.

Para quem não conhece (ou nasceu tarde demais), Cyndi Lauper foi uma das musas dos anos oitenta. Sim, eu nunca respeitei muito a música dela, não sabia porque achavam a mulher demais e só gostava de Time After Time, já que a música é legal e fica demais em versão blues. Sei que a trilha sonora de The Goonies é dela, vi matérias tenebrosas como essa do duelo com a Madonna. Hoje em dia, ser ícone gay é mais importante do que ter uma bela voz e saber o que faz com um microfone. Mundo cruel, esse, para os que ainda têm ouvidos.

Mas Cyndi mostra porque ganhou um Grammy. Vai de dó a dó num gritinho. Sobe e desce nas modulações, sempre dentro do tom. Simplesmente te hipnotiza no palco. E isso com uma banda crua (leia-se guitarra, baixo, bateria e só - claro que teclado e uma backing eram necessários). Serelepe e saltitante, com uma humor que varia entre o bom e o ruim. Nossa, como essa mulher é mandona no palco. Basta o técnico de som dar uma vacilada e ela para tudo para acertar tudo. É divertido. Na sexta-feira, a luz caiu na Via Funchal (culpa da Light, não da casa). Ela não deve ter ficado contente, mas continuou cantando a capela para o público lotado. Público esse que era meio doido, devo dizer.

Até ontem não sabia que Cyndi Lauper virara um ícone da comunidade gay. Então me disseram que desde 2000 a coisa anda desse jeito. Isso explicou o público, composto de gente um-tanto-estranha-pro-meu-gosto. Gente, aliás, não-acostumada com um artista camarada. Cyndi saia do palco, apertava a mão de todo mundo, mas a galera só ficou quieta e parou de provocar tumulto quando ela interrompeu o show para falar com a platéia e os seguranças. Muito disso, sei eu, é pura afetação dos fãs. Mas enche o saco.

E não muda nada. Ela é demais. Agora eu entendo a razão do Grammy. Sei porque ela foi a primeira artista a ter 4 singles no topo da parada. Ao vivo, é muito bom. Pena que nem sempre podemos ver grandes shows no país dos nambiquaras. Pior do que isso, não ter acesso a certas coisas, cria em você preconceitos bobos e idiotas. Cyndi Lauper é demais, e escrevo embaixo.

A noite, como sempre, terminou no Finnegan’s, com muito uísque e muito blues. E fiquei imaginando aquela pequenininha ali, no microfone, no meio dos velhos bebâdos e vagabundos que nem eu, mostrando o que sabe fazer. Provavelmente faria um bom estrago.

Fonte: Breves Notas

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