Das pequenas mudanças.

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thaís moraes. · Recife, PE
25/5/2007 · 35 · 0
 

No intervalo entre o sol que nasce e o sol que morre, num ciclo que se renova todos os dias, raramente paramos para pensar no próximo. É mais simples e mais cômodo não se importar, dar ao que não nos atinge uma coloração mais etérea, quase invisível, empurrar estes impecilhos para outro lado e seguir nossos estreitos caminhos.
Foi com essa postura individualista e com essa visão tolhida pelos limites do ego, que fomos, dia após dia, deixando a situação chegar no ponto em que se encontra. Hoje, reclamamos da violência, da insegurança. No entanto, mais uma vez, é mais confortável não vermos além do óbvio. Também temos nossa parcela de culpa em cada crime que acontece. Mas nossa inércia nos envenenou.
O ser humano é um ser social, e como tal, tem a capacidade de interagir, agir e reagir aos acontecimentos. Está inserido num grupo maior: a humanidade. Nela, várias relações de interdependência se estabelecem entre as pessoas e, dessa forma, temos todos um papel a cumprir. É visível, entretanto, que não o estamos fazendo.
De acordo com os dados do site WebCiência, 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo, há uma criança subnutrida para cada três outras crianças; 1,5 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e 1,1 bilhão vivem na pobreza. Outra informação chocante é que no Brasil os 10% mais ricos detêm quase toda a renda nacional. Tais dados assustam. Abrem nossos olhos para algo de gritante, que a nossa vista está sempre querendo amenizar. Colocamos panos em cima, tapetes e toalhas. Apagamos a luz, fechamos as cortinas. Paira sobre o ar um acordo selado há muito: “Tu que sabes e eu que sei, cala-te tu que eu me calareiâ€.
Em meio a tão delicada situação, faz-se mais do que necessário, faz-se urgente, alguma atitude enérgica. As oito metas do milênio, estabelecidas pela ONU têm uma proposta abrangente e que, se for aplicada na prática, fará certamente a diferença. Os objetivos foram adotados por 191 países e visam acabar com a fome e a miséria, promover educação básica de qualidade para todos, igualdade entre os sexos e valorização da mulher, a redução da mortalidade infantil, um maior cuidado com a saúde das gestantes, o combate a doenças como a Aids e a malária, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e um esforço coletivo rumo ao desenvolvimento. É, sem dúvida, uma esperança que surge. Mas só esperança não basta.
Esperar, sempre esperamos. Sentamos em frente à TV, nos distraímos e esquecemos os problemas do mundo. Tão distante nos parece esse mundo. Desliza assim, por entre nossos dedos, algo tão importante como a liberdade de expressão e de a capacidade de criticar. Ignoramos a oportunidade, que nos é dada todos os dias, de transformar o que há de ruim. Os acontecimentos rotineiros escondem por trás de si sinais que só podem ser vistos por olhos atentos. E estes sinais dizem-nos, sem dúvida, que algo precisa rapidamente ser mudado. O que é, afinal, que você está mais apto a mudar do que você mesmo?

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