Sabemos que os erros fazem parte da vida, sabemos também que eles compõe qualquer trajetória de aprendizado. Não existem caminhos perfeitos, ou mesmo histórias completamente regulares. Acertos dependem de um contÃnuo processo de tentativa e erro. Pessoalmente, penso até que as imperfeições são desejáveis, e muitas justificativas aceitáveis.
No entanto, alguns acontecimentos recentes da polÃtica nacional e internacional nos mostram o contrário. Isto é, existem justificativas inaceitáveis e que soam como um verdadeiro desrespeito a nossa inteligência. São situações que demonstram uma desfaçatez sem limites.
O primeiro caso a ser citado diz respeito ao financiamento do Ministério da Cultura a um estilista brasileiro via Lei Rouanet. Seu projeto, avaliado em R$ 2,8 milhões, propõe desfiles em Paris. Quando essa notÃcia surgiu, gerou uma grande revolta entre os trabalhadores da cultura pelo paÃs a fora, pois, mesmo considerem moda como cultura, entendem que desfiles luxuosos na França não correspondem ao sentido das polÃticas públicas.
Aà vem a justificativa: segundo Marta Suplicy, ministra da cultura, há grande importância no projeto, pois ele “melhora a imagem do Brasil no exteriorâ€. Além disso, afirma que “exposições com esses Ãcones ‘vendem’ o paÃsâ€. Desculpas que fogem da discussão primordial, afinal, não deveria ser papel do governo financiar - com dinheiro público - projetos mercadológicos de interesse privado e de quase nenhum acesso a maior parte da população.
Alguns dias depois desse acontecimento, outro fato chama a atenção pelo cinismo descarado. A Rede Globo leva ao ar, no Jornal Nacional, o reconhecimento de um “equÃvoco histórico†que teria sido o apoio ao golpe militar de 1964.
Aquilo que muitos já sabiam viria à tona com requintes de hipocrisia. Segundo a nota oficial emitida, o Jornal O Globo “sempre cobrou deles (militares) o restabelecimento, no menor prazo possÃvel, da normalidade democráticaâ€. Informação prontamente desmentida pelo Clube Militar - também em nota oficial -, grupo formado pelas chamadas viúvas do regime ditatorial. E afinal, nossa polÃtica atual pode ser chamada de “normalidade democráticaâ€?
O que mais chama a atenção na “retratação†da Globo é sua nÃtida preocupação em promover uma imagem de emissora democrática. Necessidade que surge, principalmente, a partir das diversas manifestações ocorridas em 2013 contra o canal, fato que vinha gerando uma rachadura na reputação da empresa perante grande parte da população.
Não para por aÃ, pois a desfaçatez não tem mesmo limites. Barack Obama, presidente dos EUA, também nos “presenteou†com justuficativas descabidas. O caso diz respeito à s espionagens de seu governo contra o governo de Dilma Rousseff, fato que veio à tona a partir da exposição pública de documentos secretos.
Segundo Obama, as investigações secretas da inteligência de seu paÃs tem a função de "tentar entender melhor o mundo". Claro, pois afinal, escutar as conversas particulares dos outros é sempre uma maneira de constatar a verdade. No contexto geopolÃtico, não deve haver nada mais fundamental do que se antecipar à s crises e planejamentos alheios, ainda mais para um paÃs imperialista como os EUA.
Diante de tais tapas na cara, constatamos uma caracterÃstica muito própria do ser humano: a capacidade de defender absurdos tentando cegamente nos convencer. Nesses momentos é extremamente importante possuir senso crÃtico e conhecimento histórico. Principalmente para que essa desfaçatez ilimitada não venha a nos confundir, pois as pitadas bem dosadas de simpatia e elegância contidas na retórica usada por esses (e essas) caras de pau, são um grande veneno inebriante.
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