Diário de um sobrevivente, por Ryoki Inoue

Georges Kirsteller
Um dos principais jornalistas da ditadura militar abre seu arquivo para o leitor
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Georges Kirsteller · São Paulo, SP
7/8/2011 · 0 · 0
 

Este é um livro que merece ser lido. Lido e estudado, pois não se trata de apenas mais um comentário sobre os chamados “Anos de Chumbo”. José Carlos Bittencourt traça, em suas páginas, uma retrospectiva sobre as vicissitudes da profissão de jornalista durante esse período.

O leitor que espera ver nessa obra um “desce a lenha” nos militares – tanto aqueles que ocupavam o poder, como seus subalternos – há de se decepcionar. Bittencourt é imparcial – aliás mostrando mais uma vez que é um Jornalista (assim, com caixa alta) – e simplesmente mostra os fatos, diz o que aconteceu. Ao contrário do que muitos desejariam, ele não toma partido, não “puxa a brasa para a sardinha” de ninguém.

A maneira como Bittencourt disserta sobra a implantação do AI-5 não dá margens a julgamentos outros que não a realidade do que aconteceu. Não há uma “malhação do Judas”, não se nota a impressão pessoal, apenas se percebe claramente a narração dos fatos e suas implicações mais diretas sobre a vida do povo, especialmente sobre o trabalho jornalístico.
Poderia dizer que Arquivo Aberto é o diário de um sobrevivente e uma autobiografia em que o autor tem como foco o seu trabalho. Normalmente, numa autobiografia, dá para notar um certo Complexo de Narciso por parte do autor. Não no livro de Bittencourt. Em muitos trechos de sua narrativa, vê-se que ele se “apaga”, procura se deixar ofuscar para permitir o brilho de seus colegas de profissão. Até mesmo quando trata de sua saúde (teve dois cânceres diferentes e bastante graves). Bittencourt não dedica a esses episódios, que seriam marcantes para qualquer um, mais do que apenas algumas páginas.

E é exatamente isso que torna seu livro, Arquivo Aberto, uma leitura agradável e útil para qualquer tipo de leitor, especialmente para os curiosos que gostariam de saber como um jornalista político conseguiu sobreviver (de no sentido literal deste verbo) numa época de repressão, censura e – principalmente – “dedurismo”, quando rivalidades profissionais facilmente poderiam ser transformadas em denúncias sem fundamento e com consequências as mais graves.

Bittencourt tem um jeito leve e agradável de escrever, tornando a leitura de um tema “pesado” numa leitura prazerosa e informativa. A redação de um bom jornalista e de um grande escritor. Comunicar é uma arte, e Bittencourt é um artista de mão cheia.

Tecer uma crítica sobre Arquivo Aberto é uma missão complicada. De um crítico espera-se justamente isso: a crítica. Neste nosso ignaro país, arquetipicamente entende-se crítica com uma conotação de negatividade. Portanto, seguindo esse princípio, é impossível criticar Arquivo Aberto. Em sã consciência, este livro só pode ser elogiado.

Onde comprar a obra?
Na livraria exclusiva da Ryoki Produções:
http://editora.webstorelw.com.br/products/arquivo-aberto

Site e Blog do Autor:
http://www.arquivoaberto.com.br
http://livroarquivoaberto.blogspot.com

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