Difusão da mídia livre na Paraíba

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Samara Dantas · João Pessoa, PB
14/6/2009 · 2 · 1
 

O Cineclube Internacional, cineclube do curso de Relações Internacionais que coordeno dentro da universidade, participou do II Encontro de Cineclubes da Paraíba, uma realização da Associação Brasileira de Documentaristas, Seção Paraíba - ABD-PB -, através do Tintin Cineclube, em parceria com o IV CINEPORT - Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa de 1 a 3 de maio.

O Encontro de cineclubistas paraibanos aconteceu no Hotel Imperial e rendeu ótimas discussões.
No primeiro momento da oficina houve apresentação dos participantes, e foi uma experiência bem interessante conhecer cineclubistas e representantes de pontos culturais de Monteiro, Sousa, Baía da Traição, Campina Grande, Zabelê (não é uma cidade africana como eu pensava, mas fica pertinho de Monteiro), Bayeux, entre outras.

A primeira mesa redonda contou com a participação de Antonio Claudino de Jesus (Presidente do Conselho Nacional dos Cineclubes Brasileiros (CNC) e Vice-Presidente do Comitê Executivo da Federação Internacional de Cineclubes (FICC), Liuba de Medeiros (Tintin Cineclube) e Fernando Trevas Falcone (pesquisador) com o tema DIREITOS DO PÚBLICO: POR ONDE ANDAM OS FILMES BRASILEIROS?

Antonio Claudino de Jesus desenrolou a linha histórica acerca do movimento cineclubista brasileiro, pontuando a criação do CNC em 1962 e o abafamento do movimento em 64, devido à repressão da ditadura militar. Entretanto, 1970 já é considerada uma década frutífera para o movimento, pois cerca de 600 cineclubes foram catalogados pela CNC. Em seu discurso, Antonio nos mostra como é clara a influência do contexto político interno na organização ou desorganização dos Cineclubes. Em 1980, o movimento se auto-desorganiza, e uma das consequência dessa desorganização é claramente a extinção das instituições durante o governo Collor, que nos faz refletir sobre o alcance da democracia e a defesa do livre acesso.
No período posterior, FHC defende as privatizações de empresas brasileiras, mas também lança leis de incentivo a cultura, dando subsídios a alguns movimentos de ativismo cultural.
O Brasil retoma aos poucos seu espaço no cenário internacional, realizando acordos em diversos níveis com países em expansão, seguindo a Política Externa Independente consolidada no governo Jânio Quadros, marcando uma época de forte mobilização cultural pós-ditadura.
A Programadora Brasil surge como associação que dá suporte aos pontos de exibição audiovisual, disponibilizando cartilhas, filmes brasileiros, reunindo e repassando informaçõe.

No terceiro dia do evento, uma carta foi elaborada, unindo discussões de três GTs:
Cineclubes e articulações em rede (articulado por Virgínia, do Tintin Cineclube)
Cineclubes e Tecnologias da Informação (GT que fiz parte, articulado por Zonda Bez)
Cineclube, acervo e memória (articulado por Liuba, do Tintin Cineclube)

Apesar de os GTs terem seguido estruturas diferentes, diversos pontos em comum foram ressaltados pelos três. Podemos citar: a necessidade intrínseca aos cines de fortalecimento do movimento e comunicação/intercâmbio entre os cineclubes, a importância de manter o compromisso com o público em relação a projetar filmes de boa qualidade com legendas sincronizadas e bom áudio, em manter a proposta aberta de movimento sem fins lucrativos, entre outras propostas.
Sobre o Cineport em si, nós sugerimos na Carta que na próxima edição do Cineport em João Pessoa exista um espaço para os cineclubistas exibirem seus curta-metragens, longas ou documentários, fortificando assim um espaço crítico.
O Encontro foi formado por um público também heterogêneo no sentido que alguns cineclubistas representavam cineclubes já bem consolidados e sustentados, e outros sofriam com a falta de público e equipamento próprio.

A 2ª mesa redonda, com o tema "Baixa o teu que eu baixo o meu: os cinéfilos na era da internet e das tecnologias portáteis", foi formada pela Drª Tatiana Aires Tavares (vice-coordenadora do Lavid-UFPB) e Ricardo Oliveira, Jornalista.
A Drª Tatiana explanou o tema de maneira mais técnica, numa palestra enriquecedora, pois o Lavid (Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital, UFPB) realiza vários projetos que dão suporte à transmissão digital e buscam intercâmbio do audiovisual. Alguns projetos en andamento foram citados, como o RIPE/REUNA que tem como foco a troca de conteúdos, o RITU que deverá ser aplicado aos pontos de cultura, o SBTUD, o BEACON e o OpenGinga.
E viva o Software Livre!

O jornalista Ricardo Oliveira discorreu sobre culturas midiáticas e a quase onipresente questão dos direitos autorais. Ele citou fatos interessantes, como o crescente "costume antigo de rádio" que gerou a redução de 8% da queda de download, a partir de sites como lastfm em que os usuários escutam músicas sem precisar baixá-las.
Outra discussão incitada pelo jornalista foi acerca das transmídias, da expansão do mercado de seriados norte-americanos através da internet, da ampliação do audiovisual a partir da câmera digital e do celular, etc.

A 3ª mesa redonda do Encontro teve como tema "QUE TAL UM CINEMINHA? – O RAIO X DA CINEFILIA PARAIBANA." e como convidados Ramon Porto (cinéfilo), Renato Felix (Jornalista) e Luis Antonio Mousinho (professor) como mediador.
O jovem estudante Ramon Porto, cinéfilo de Campina Grande, relembrou filmes clássicos e diretores como Jean-Luc Godard, focando na importância dos filmes que se tornarão clássicos, instigando uma discussão sobre o que torna um filme clássico. Ser atemporal? Ser assistido por várias gerações num período de 20 anos?
Enfim... cada crítico com suas visões, e as discussões geram muito pano pra manga.

Alguns Cineclubes de JP:
Cineclube JMB
Cineclube Machado

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Viktor Chagas
 

Opa, Samara,
Boa a cobertura com a repercussão do evento por aí.
Quantos cineclubes e quantos cineclubistas mais ou menos participaram? Conta mais sobre o movimento cineclubista paraibano...

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 16/6/2009 14:55
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