Sucesso de Jornalismo de Políticas Públicas e Sociais, disciplina da ECO-UFRJ, que se transformou em curso de extensão está ligado a metodologia aplicada.
Numa segunda-feira de manhã, um desavisado que entra no prédio da CPM, no campus da UFRJ na Urca, pode se surpreender com o movimento do primeiro andar. Mais ou menos às nove horas, um vai e vem de pessoas imersas em um burburinho incomum para um início de semana de faculdade pública, invade o auditório do edifício e só pára quando do palco se ouve o bom-dia. É o princípio de mais uma aula do curso de Jornalismo de Políticas Públicas e Sociais.
Organizada pelo professor Evandro Ouriques, a disciplina começou como uma matéria complementar de habilitação para o curso de jornalismo da universidade. A parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) – que tem um projeto de estímulo ao desenvolvimento de cadeiras universitárias voltadas ao debate de políticas públicas e sociais –, juntamente com o apoio fornecido pelo Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência (NETCCON.ECO.UFRJ) foi crucial na sua ampliação e transformação em curso de extensão gratuito.
Nesse semestre, a disciplina comemora sua quinta edição com o dobro da carga horária inicial (agora são 60 horas) e um recorde de procura. Foram 400 inscritos, um excedente de 180 pessoas nas vagas disponibilizadas. Para organizar tantos alunos, o professor aposta numa fórmula ousada e dinâmica: criar uma plataforma virtual, formada por um blog e um grupo de debates, que dê conta de expandir os horizontes da sala de aula, integrando pessoas em torno dos debates em voga. Outra motivação importante foi o surgimento de um número considerável de alunos que residiam fora do Rio de Janeiro, mantendo-os, assim, ligados mesmo à distância.
Parte desse sucesso, possivelmente, é fruto da metodologia de trabalho escolhida. As aulas se configuram na forma de palestras, mesas-redondas e dinâmicas presenciais ministradas por profissionais conceituados no meio. Nomes como Flávia Oliveira (O Globo) e Antônio Góis (Folha de São Paulo) não só atraem a atenção dos alunos, como também dão uma perspectiva de mercado dos assuntos em pauta. “Jornalismo de Políticas Públicas e Sociais não é um assunto novo. Muita gente fala. Sendo assim, não há melhor exemplo que chamar pessoas que atuam nessa área.”,explica Evandro.
Na dinâmica de ensino aplicada, o conhecimento do aluno também tem lugar. Nos últimos semestres, estudantes que desenvolvem trabalhos relevantes ligados aos objetivos da matéria, são convidados a dar aulas aos demais, como no caso da ex-aluna Carmen Lozza, especialista em jornais-escola. A educadora, que extraiu do curso novos olhares sobre a prática do jornalismo, acredita que sua contribuição “pode acrescentar um outro olhar, o olhar do educador, ao tipo de jornalismo que se faz hoje em dia no Brasil.
O novo olhar mencionado por Carmen não se restringe apenas a sua palestra. A ex-aluna Tânia Malheiros, ganhadora do prêmio Esso de jornalismo na categoria Informação Científica, Tecnológica e Ecológica, afirma que sua produção jornalística foi alterada pelo curso, na medida que é um espaço onde “sempre há a possibilidade de se lançar um novo olhar, de ficarmos mais abertos ao mundo, de aprimorarmos conhecimentos a partir de um curso tão interessante como JPPS.”.
Sua colega de classe, Izamara Bastos, pesquisadora da área de comunicação e saúde da FIOCRUZ, salienta que “as discussões sobre Políticas Públicas e Sociais só tendem a fortalecer a percepção do papel de cada um de nós, jornalistas ou não, na sociedade como um todo. Em minha opinião, o curso não é destinado somente a comunicadores, mas a todos aqueles que percebem o forte papel da mídia e o quanto ela deveria investir mais numa sociedade mais igualitária e consciente de seus deveres e direitos.”
O curso tem duração de um semestre e as aulas são ministradas às segundas-feiras das 10 às 13 horas. Nessa edição, o programa envolve nomes como Heloísa Buarque de Hollanda e Bnegão. As inscrições para o próximo período letivo abrem no meio do ano e os interessados podem entrar em contato com a secretaria da ECO-UFRJ ou com o próprio professo Evandro Ouriques.
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