Oi,
ainda verde nessa de blogs, escrevo algo sobre a produção do recital / show Incompleto que estréia neste domingo, 28-6, no arena, em poa. O que me vem como possível colaboração espontânea é a onda de “cobrar o escanteio e cabecear”. Estou nessa de fazer canções e cantar há algum tempo e quero seguir nela mesmo que seja sempre como essa. No momento, como um exercício de autonomia, talvez porque me sinta auto-suficiente em algumas coisas e com vontade de experimentar em outras e completamente sem grana para remunerar outros profissionais e sem saco para ir atrás de, procurar apoiadores ou o que quer que seja, conto com a bilheteria para remunerar o profissional de iluminação, a taxa do teatro e o bilheteiro. Mesmo assim, o ingresso tem preço popular. No banco de cultura do Overmundo tem a música “No shopping”, que fala disso também. Acho que, como ouvi do amigo e músico uruguayo Federico Wolf (ouçam-no, ele está no myspace), todos temos um grau de consciência e de loucura que nos mantém nessa. O mais doido disso tudo é que me sinto completo e incompleto ao mesmo tempo com essa atitude. Pois há também dignidade, entrega e luta. Talvez seja fé cega, mas a faca está amolada. (Isso não é o diário de uma apresentação de um cantautor independente de porto alegre / rs / brasil. Acredito na divisão de tarefas, mas é preciso remunerar condignamente. Uma estrutura que não é mole montar. Mas vamos lá. Não esmoreceremos.) Mas, voltando ao show que ora estréia, a coisa vai ser assim mesmo, com a máxima de que “menos é mais”. E beber a limonada depois. A idéia é mostrar o trabalho, mesmo que seja de uma maneira mais singela, econômica, sem o requinte da participação de outros instrumentistas. Vou me permitir esse atrevimento e encarar o palco sozinho, apresentando um repertório praticamente desconhecido. Admito que pode haver uma ansiedade nisso, algo que faz parte, convive e precisa ser administrado pelo artista que cria e quer expor, quer tornar o ciclo completo. Recentemente participei de alguns projetos como o da Casa Elétrica e do Jornal Vaia no mesmo teatro daí surgiu o impulso para montar este recital. O Teatro de Arena é convidativo e o espaço – teatro - dá a possibilidade daquela concentração necessária para que se possa apreciar com cuidado o cuidado que o artista tem com suas letras, com suas harmonias, com seu modo de encarar o canto, por exemplo. Incompleto tem um repertório que vem crescendo, sofrendo alterações e a tendência é que continue assim. Neste show, as canções serão mostradas como concebidas, com voz e violão. Acho que elas receberão versões diferentes, conforme a temporada. (Sim, espero reproduzir mais vezes esse formato!) Normalmente, procuro não criar definições muito rígidas para meu jeito de tocar e cantar. Vai muito conforme o ambiente que é propiciado no encontro com a platéia. Disso tudo e mais do que se pode ainda imaginar vem o nome “Incompleto”. Seguimos conversando.
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