Reli há alguns dias um livro antigo que estava guardado no meio dos meus “breguessosâ€, entre jornais velhos e pastas que nem eu sei mais qual é o conteúdo das mesmas.
O tÃtulo é “Por dentro do Apartheidâ€, o autor, Donald Woods, e não sei porque cargas d’água esta coletânea de artigos escritos na década de 1980 me veio à mente no momento que assistia uma reportagem sobre o modo peculiar ( e até inusitado) que o senador Eduardo Suplicy utilizou para defender a não redução da maioridade penal. Não quero tecer comentários jocosos sobre o trabalho do nobre representante do povo, até por que tenho alguma estima pelo ilustre polÃtico, mas o ambiente ao redor lembrava-me muito os artigos de Donald Woods.
A imagem das gargalhadas de senis gorduchos (sem preconceito contra gordos ou idosos, que fique bem claro, apenas expresso uma simples observação ambiental) despertou-me uma indagação que, ainda hoje, passeia na minha mente: Do que os nobres senadores riam ? Da má capacidade interpretativa do senador? Da sua tentativa de fracassada de vocalizar a letra do rap? Do pá pá pá?
Nesse momento vem à mente, novamente não me pergunte o porquê, cenas do Holocausto revivido na pelÃcula “A Lista de Schindlerâ€, de Steve Spilberg, mais especificamente no seu capÃtulo final, quando o personagem Oskar Schindler, interpretado pelo ator Lian Neeson, discorria desolado sobre o seu esforço em “comprar†a vida de judeus e judias no auge da segunda grande guerra: _ E se eu tivesse vendido esse relógio quantas vidas teriam sido salvas...E se eu tivesse vendido esse carro...
Faço-me a mesma pergunta , parafraseando o personagem, em relação ao nosso senado: E se não tivéssemos votado em grande parte desses polÃticos que ora nos representam com tamanho contentamento e galhardia, quantas vidas salvarÃamos? A reflexão remete instantaneamente a outras figuras públicas, seja no executivo, legislativo ou no judiciário e não me vem resposta quanto a números de vidas salvas, quiçá salvássemos milhares ou milhões de vidas inocentes que são engolidas por essa guerra urbana sem fim.
Entretanto, saio do campo da fantasia, de utopias que jamais se realizarão e retorno à nossa crua realidade com a inversão da pergunta: Quantas vidas cada um de nós, direta ou indiretamente, mata dia a dia através das nossas ações ou das nossas escolhas polÃticas?
Alguém ,pelo amor de Deus, pode me responder à questão inicial? Do que o senado riu?
De nós, Jair. De nós!
Ilhandarilha · Vitória, ES 9/5/2007 09:07Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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