Dona Gracinha da sanfona
São Jorge nos dias do Encontro de Culturas recebe artistas de todo o Brasil Dentre estes foi destaque na casa Cavaleiro de Jorge a apresentação de Dona Gracinha da sanfona.
Maria Vieira da Silva conhecida por Gracinha nasceu em Floriano no PiauÃ, numa famÃlia de 11 irmãos. Sendo muito doente, inclusive com problemas de visão, sua mãe não tinha condições de cria-la e assim foi adotada por uma tia que não possuÃa filhos.
Gracinha era uma menina diferente: nunca gostou de bonecas e nem de saias e suas brincadeiras eram mais ousadas como brincar de cavalo de pau, lutas e outras que na época uma menina não podia fazer. Porém os ouvidos sempre foram voltados para música. Confeccionou um pandeiro com lata de goiabada e tampinhas de garrafas o que foi seu primeiro instrumento musical.
O marido de sua tia era um sanfoneiro, então Gracinha mesmo com a visão parcial podia ouvir o som da sanfona e assim aos 7 anos de idade já se apaixonara pelo instrumento. Perdia o sono imaginando como poderia aprender a tocar.
A tia notando a curiosidade da sobrinha deixou que ela pegasse o instrumento de 4 baixos para experimentar e desse dia em diante a sanfona foi sua parceira inseparável. Talento descoberto, Gracinha se tornou a sanfoneira oficial da região, ia a cavalo para as festas e tocava forró a noite toda, daà já passou a ser chamada Gracinha da sanfona.
A carreira como sanfoneira já se estabelecera quando mudou para BrasÃlia e com uma sanfona maior passou a fazer shows se tornando logo popular na capital federal.
Dona Gracinha hoje tem 65 anos de idade e ainda reside em BrasÃlia. Faz shows em vários Estados e já é um nome bem conhecido em todo o Brasil. Toca tango, valsa, seresta, pagode e outros. Porém o que mais gosta de tocar é o forró mesmo.
Consegue lotar os salões de dança com seu jeito especial de tocar. Se sente orgulhosa de ter tocado com músicos conhecidos como Zeca Baleiro e outros.
O que mais impressiona é sua força de vontade e sua paixão pela música que mesmo com 65 anos de idade atravessa as noites tocando.
Perdeu uma das pernas num acidente e ainda assim diz:
- Perdi a perna mas nem por isso vou me aborrecê, tenho as mãos e minha sanfona!
Dona Gracinha faz piadas de si mesma :
- Imagine, sou assim, mas tenho amigos de verdade, gostam de mim do jeito que sou!
Mostra as pernas e dá grandes gargalhadas:
- Menina eu pra tocar sanfona desisto até de comê!
Os cabelos brancos esvoaçados, a voz firme, o cigarro no canto da boca e o tom sarcástico fazem de Dona Gracinha uma figura excêntrica e contagiante. Como diz meu amigo Alex, antropólogo (UNB):
- Ela tem a alma de sanfona!
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