Má notícia para os inocentes úteis que acreditam na decantada democracia racial à brasileira. Em 2006, na capital pernambucana, Recife, o número de mortes de pretos e pardos com idade até 59 anos foi mais que o triplo do total de óbitos registrados entre brancos, índios e amarelos. Causa principal deste verdadeiro genocídio racial: homicídio. Naquele ano, o número de negros assassinados no Recife atingiu 959 pessoas da etnia, contra 59 não-negras.
A informação está no “Quadro Epidemiológico de Mortalidade por Raça/Cor no Recife”. Trata-se de levantamento sobre índices de mortalidade baseado na questão racial. O estudo, promovido pela Secretaria de Saúde do município, indica 3.174 mortes de negros contra 929 de não-negros na faixa etária até 59 anos.
A morte de negros representa 77,4% dos óbitos, proporção maior do que os 53,22% da população que se autodenominaram de cor preta ou parda no Censo de 2000.
Em relação às crianças com idade até nove anos, foram registradas 310 mortes de negros contra 111 de não-negros. Quase o triplo.
A maior diferença, no entanto, ficou com os adolescentes entre 10 e 19 anos: foram 278 óbitos de negros para 32 de não-negros. Mais de oito vezes.
Já entre os adultos, os dados apontam 1.118 mortes de negros para 170 de não-negros (mais de seis vezes) no grupo de pessoas entre 20 e 39 anos, e 1.468 óbitos de negros contra 616 de não-negros para a população entre 40 e 59 anos.
Mas isso não é tudo. Os óbitos causados por câncer de colo de útero, tuberculose e Aids também foram mais freqüentes na população negra do que na não-negra. Ao todo, 2,5 mulheres negras morreram vítimas de câncer de colo de útero para cada não-negra. Nos casos de Aids e tuberculose foram 3,3 e 3,2 óbitos em negros para um óbito não-negro, respectivamente, segundo o relatório.
Bela democracia racial, a nossa!
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