Estranha felicidade

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F.Alvarez · Monte Azul Paulista, SP
16/4/2008 · 41 · 1
 

Leio na Folha de SP de ontem (13/04 – Caderno “Ribeirãoâ€), reportagem daquela Redação intitulada “Dinheiro traz felicidade, conclui estudoâ€.
O estudo, no caso, é uma dissertação de Mestrado apresentada em 2007 na Faculdade de Economia da USP de Ribeirão Preto, onde se conclui que o dinheiro seria fator determinante para obtenção da felicidade aos brasileiros pesquisados.
São apresentados alguns fatores que compõem a pesquisa. Nela, 96% dos pesquisados com as maiores rendas se dizem felizes, enquanto que 74% dos que têm menos renda se consideram felizes. A pesquisa também indica que os homens, os casados e os não-católicos são mais felizes que mulheres, solteiras e católicas, respectivamente.
Ao meu ver, a pesquisa não aponta nada de novo ou espantoso, e também não justifica sua conclusão de que os mais ricos são mais felizes. É simples, a diferença de 22% entre os mais e ricos e os mais pobres que são felizes é justificável pela própria sensação de conforto e segurança de que dispõem os mais ricos. E olhando por esse prisma, é possível concluir que a diferença é meramente ilusória.
O professor Preto Sérgio Kodato, que opina na reportagem, dá o caminho para se interpretar essa diferença. A imposição capitalista e a veneração ao consumo. Assim, quanto mais rico, maior o poder de compra e maior a sensação de felicidade ao se dar uma voltinha nas ruas, inundadas de vitrines e apelos consumistas.
Creio que há, na pesquisa, um outro lado inexplorado pela reportagem e, aparentemente, pela própria pesquisa. Por que, homens, não-católicos e casados são mais felizes?
O homem, talvez, porque ainda viva numa sociedade machista, onde o masculino ocupa posição privilegiada, apesar dos avanços do sexo oposto no sentido de se igualar ao homem.
Os não-católicos, penso que pelo maior “imediatismo†das novas religiões evangélicas, que oferecem o “paraíso†ainda nesta vida, que pode ser alcançado pelo trabalho, pelo culto ao seu deus, pelo pagamento do dízimo e pela união com seus irmãos de religião, algo impensável no arcaico catolicismo romano, que só te absolve para a próxima vida, o que é muito abstrato nos dias atuais.
Já os casados é um caso estranho. Todo homem – ou quase, para não generalizar – fala mal do casamento, somente em rodas masculinas, é claro. Assim, fica implícito nesse resultado que o homem, por viver numa sociedade que julga o masculino superior ao feminino, como já observei, é covarde com si mesmo. Alardeia aos amigos que o casamento é uma prisão e a mulher, uma bruxa, mas no fundo, sente-se feliz por fingir que comanda a casa, e a mulher, fingir que o obedece, quando na verdade, elas fazem tudo o que querem, e eles, só assinam o cheque, em diversos sentidos.

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clara arruda
 

Achei interessante a matéria,embora discorde do conceito de felicidade.Foi importante ler o que se é publicado.Deixo aqui meu carinho.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 17/4/2008 05:12
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