Fase pré-carnavalesca em transe adivinhatório

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Patrick Brock · Salvador, BA
12/5/2006 · 67 · 0
 

Então você deve estar imaginando: será que ele é ufanista ou crítico demais? Essa é a polarização que marca o carnaval na Bahia. Mas veja bem: polarização crítica, porque o processo se aproxima bastante da unanimidade. Quem não gosta foge da folia e ainda aluga o apartamento.

Para abrir o carnaval, a festa do Rio Vermelho, no 2 de fevereiro. É quando os vendedores começam a lucrar a mixaria do ano inteiro. Festa em homenagem a Yemanjá que tomou as ruas e tornou-se uma instituição baiana. Mais uma. Já ficou evidente que este quem escreve é um
crítico empedernido do carnaval da Bahia. Talvez seja alguma coisa na água ou a falta de rádio ligado durante a minha infância. Mas procuro ter uma visão equilibrada. Afinal, tem tanta gente que gosta, não?

A verdade, na minha visão, é que o que começou com os blocos de afoxé evoluiu para uma farra de oportunistas com qualidade musical discutível. O auge dessa galera já passou. Mas eles conseguiram privatizar a rua para os seus desígnios com velocidade incrível. Tudo para
as hordas de turistas sulistas que querem sair a todo o custo nos blocos. Assim, surge a profissão de atravessador de abadás. O sujeito compra vários no início do ano e vende na véspera do carnaval a preços inflacionados. E vive disso, porque a praia é de graça e o aluguel é bem barato.

Descobriram este ano que os blocos de carnaval estavam devendo milhões à Prefeitura Municipal de Salvador. Tiveram parte da dívida perdoada e pagaram o resto quietinhos. Lucraram tanto que ficou obsceno o negócio. Enquanto isso, eu te garanto que você ainda
pode encontrar coisas autênticas. Como o Bloco Mudança do Garcia, que sai todo ano com uma temática crítica diferente. Ou então, você pode aventurar-se em plena Praça Castro Alves, caldeirão maior da festa popular. Aqui não há cordas, e quando existem, são uma mera
formalidade. Para tomar um soco na rua, não é preciso procurar. Mas para se divertir, você deve estar munido do espírito hedonista, que esquece a opressão social, só uma vez por ano, para encontrar-se na rua.

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