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Fim de namoro é produção cultural

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lidianne andrade · Olinda, PE
1/10/2008 · 62 · 1
 

O homem não sabe aproveitar o tempo, pelo menos não acompanhado. Quando namora, vive com o outro e para o outro. Rotina de cão: trabalha o dia todo e estuda a noite, deixando o fim de semana para a namorada (outras rotinas variantes são concebíveis neste modelo). Quando o namoro acaba... o sol se pôs mais cedo e a noite é eeennooorrmmme. Vem uma sensação de vazio espacial, solidão, falta de produção. Nada de angústia, pois o sentimento é partilhado por todos que se encontram na mesma situação: recém solteiros.

Infelizmente, são poucos os que conseguem manter sua individualidade diante de um relacionamento sério. Para alguns, o período de namoro passa a ser uma abstinência cultural. Ela ama cinema, mas o cara só curte barzinho? Ele acaba ganhando! Ele é fã de teatro e ela de baladas? Vamos agradar o bemzinho hoje. E esse hoje vira hoje, amanhã, semana que vem e....bum!! Cinco anos de namoro e nenhuma cultura acrescentada. Os livros vão ficando pela metade porque ele sempre liga na leitura do segundo parágrafo. As revistas são compradas e ficam ainda no plásticos. Os DVDs ficam mais conservados que em loja, pois não saem da prateleira. Os programas de TV começam a ser reprise (eles se repetiam antes, mas ninguém parou para observar...). Os filmes da Globo são um saco e repetitivos(descoberta, hein?).


Mas o fim de namoro, para quem sabe degustar a sutil arte de ficar sozinho, é o período mais fértil do ser. É quando, sem nada para fazer e vontade de sair, descobre-se um Godard guardado na prateleira há tempo mas nunca assistido. Pensa-se ainda em ocupar os sábados com curso de francês ou alemão. “Para fazer o diferencial no currículo, agora que tenho tempo, ” pensa a nova mente surgida ao mundo da individualidade. As revistas são lidas, relidas e apreciadas. Sobra até tempo para ler correntes de e-mail! Orkut sempre atualizado, feeds lidos e comentados...é bom demais!

Mas quando o saco enxe de novo, chega a hora de sair, paquerar, conhecer alguém, apaixonar-se e...começa tudo de novo. Mas o mundo é redondo, ne? O teatro consegue agüentar mais cinco anos sem você.

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Andre Pessego
 

Bos considerações. Na verdade é possível que o ficar só e o não poder ficar só seja coisa do reino animal.
abraço

Andre Pessego · São Paulo, SP 2/10/2008 06:52
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