Impressões Festival DoSol

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Lado [R] · Natal, RN
12/8/2007 · 119 · 1
 

Em tempos de leis de incentivo a cultura, quando não se consegue apoio na continuidade de um projeto, o que fazer? “Se readaptar,oras!”. Dessa maneira, foi realizada a terceira edição do Festival Dosol: enxuga daqui, encolhe dali e assim se manteve o espírito da festa com o brilho reforçado pela força de vontade aliada a coragem de arriscar.

O Festival Dosol cumpriu o prometido: 47 bandas, 26 horas de música, descontração e muito rock and roll. E se há males que vem para o bem, o formato da nova edição encaixou perfeitamente pro porte do Festival. De maneira inteligente, os shows foram distribuídos para duas casas: Armazém Hall (palco maior) e Dosol Rock Bar (palco menor), o que deu um clima mais intimista ao evento, onde circularam 4.500 mil pessoas, em média, nos três dias. O que fez falta, foi um espaço alternativo melhor, como nas edições passadas, onde as bandas pudessem dispor o merchan e assim fazer girar o ‘mercado financeiro independente’, onde bottons, camisetas, cds e adesivos são tão valorizados.

Se por um lado houve linearidade por parte da organização do evento, sem tumultos e com horários e ordens de apresentações respeitadas; a sonoridade musical foi diversa e frenética, destaque pra sábado, com 20 bandas tarde-noite adentro. Surpresa ou coincidência, a maioria das bandas que tocaram no Festival eram formadas por ‘power trios’. É um sinal de que a velha fórmula “baixo+guitarra+bateria” continua sendo a essência da coisa. Entre tantas apresentações no Festival é até difícil não ter preferências ou apontar destaques...

1ª dia

A primeira noite ganhou empolgação quando The Sinks [RN] subiu ao palco tocando canções do seu recém lançado ep “Ignored”, que poderia estar em qualquer prateleira de alguma loja perdida em Seattle. Aproveitando o clima overdrive, vêm o Cascadura [BA] com seu rock vibrante, mais que sincero de quem já está na estrada há muito tempo. Munido de boas letras e ótimos riffs, o Cascadura é a prova da resistência [e persistência] em empunhar uma guitarra e fazer barulho até o ouvido sangrar.

Dando uma amansada nos amplificadores, o Volver [PE] executou boas canções, embalando a galera com sua sonoridade “jovem guarda”. Chegada a vez do Vamoz!, o power trio pernambucano de guitarras endiabradas demonstrou no palco o seu já conhecido e sempre visceral rock duro. Set rápido, intenso, mesclando músicas do velho e do novo álbum, sinceramente: rock duro e alto... FYA BABY!!!

Depois da paulada do Cascadura e do Vamoz!, ficou difícil para o Moptop [RJ] empolgar os mais exigentes. Apresentação morna e funcional. Quando aqueles mais sonolentos cochilavam pelos cantos, com certeza, acordaram assustados com as cordas nervosas do Bugs [RN]. Velha conhecida do público e figura presente nos grandes festivais independentes, a banda tocou as canções mais que envenenadas do seu mais novo álbum: Exílio. Resumindo: rock cru e esfumaçado. A maratona da primeira noite chega ao fim, com o público aguardando os gaúchos do Cachorro Grande, que executaram um show contagiante e que ficou, a contento dos presentes.

2ª dia

Por volta das 15:30h, começa a maratona do segundo dia de Festival na Rua Chile, no bairro da Ribeira. Quem teve energia e disposição pra levantar da cama e chegar cedo, presenciou a apresentação dos potiguares do Toy Gunz e do Lótus, seguido pelos paulistanos do Secks Collin.

Com o público ainda pequeno, o Fliperama [RN] mandou seu punkrock bubblegum sem medo de ser feliz, para um público jovial e cheio de energia. O tempo parecia passar rápido quando o Joseph K? [CE] subiu ao palco, destilando seu rock apimentado com uma pegada bem pop. Entre uma cerveja e outra, é a vez dos mineiros do Enne. Guitarras altas e pesadas fez lembrar bastante do tempo e da sonoridade de seus conterrâneos do Diesel[Udora]. Agradou o suficiente e esquentou os ouvidos para a apresentação do Arquivo [RN], que mandou seu rockpunk de harmonias dissonantes e sensibilidade rítmica de quem conhece do assunto.

Correndo de um lado para o outro, entre os dois palcos, começa sem muita pausa o Stellabella [RJ]. Este power trio carioca tentou mais não conseguiu convencer muito o público, apesar das boas canções de uma levada pop/distorcida. E por falar em distorção, o Red Run [CE] fez uma apresentação redondinha, com uma pegada overdrive bem anos 90, prontos pra sair da garagem e ganhar os palcos do Brasil. Dando seqüência, chega a vez do Allface [RN] que, com seu punkrock melódico, fez a galera cantar junto e o público juvenil se emocionar.

Sem choro nem vela é chegada a hora do Rockefellers[GO], com pegada hardrock, riffs e solos infernais, fez o público ir a loucura e presenciar um dos melhores shows do Festival. Depois da chicotada sonora dos goianos, duas bandas potiguares, Jane Fonda e Zero8Quatro, velhas conhecidas do público local, fizeram suas apresentações dentro do esperado: canções pop cantadas em coro. Deixando a tietagem de lado, os goianos do Violins fizeram uma apresentação que exigia atenção do público. Execução impecável, conduzida com muita emoção [sem ser piegas, claro!] de quem já está acostumado aos palcos dos grandes festivais.

Já no outro palco, ouvíamos a pegada eletro-rock do Lucy and the Popsonics [DF], do simpático casal que tocou energéticas canções, transformando o palco do Dosol numa grande festa eletropunk. Sendo assim, o público já estava endiabrado para ver um dos shows mais insanos do Brasil.

Chega a vez do The Honkers [BA]! Insanidade elevada a mil, com direito as peripécias e traquinagens de Rodrigo Sputter [vocal], que subiu nos PA´s, nas janelas ao fundo do palco do Armazém Hall, rolou no chão, cuspiu cerveja, bulinou seu colega guitarrista, fez o djabo no palco. O Honkers demonstrou que tem potência rockeira e sabe cativar o público. Precisa mais?

Aproveitando o clima de loucura rocker, o Zeferina Bomba [PB] mostrou para que veio. Violão eletrozumbificado dos diabos, vocal nervoso, fez o público se debater durante toda apresentação. Dona Zeferina nessa noite soltou suas bombas, um viva a esses paraibanos cabras de pêia. Ficou difícil para o Supergalo [DF] sustentar a insanidade da noite. Fizeram um show certinho, com boas canções de uma banda formada por músicos experientes.

Já rolava a madrugada e a maratona chegava na penúltima volta. Dessa vez, Os Bonnies [RN] mandaram seu rock’nroll numa lapada só. Como sempre: insanos, barulhentos e mal encarados. Na última volta, quem teve perna pra agüentar viu o show do Rock Rocket [SP] com stage dives no mínimo engraçados e algumas cervejas cuspidas ao alto.

3ª dia

Domingo, último dia. Aqueles que não foram pagar os seus pecados na missa, tiveram a oportunidade de ver o dia mais infernal do Festival. Peso, distorção, camisas pretas e guitarras com chifres foram a tônica do dia de encerramento. Além de um público muito participante, que formou rodas de pogo nervosas em praticamente todos os shows. Destaque para as bandas cariocas Ataque periférico e Jason.

O desconhecido trio estrangeiro The Nation Blue [AUS], pela primeira vez no brasil e em turnê com os cariocas do Jason país a fora, foi uma boa surpresa. Com a moral de quem abriu shows do Helmet e Foo Fighters, fizeram uma apresentação insana. Os vocais gritados, divididos entre Tom Lyngcoln [guitarrista] e Matt Weston [baixista], lembraram o velho e sempre bom Hot Water Music ou a menos conhecida Small Brown Bike. Sem contar na apresentação ora esquizofrênica, ora doentia de Lyngcoln, com direito a sangue escorrendo na testa e tudo. Das garagens da Austrália para o mundo, uma banda ótima!

Levante e Expose Your Hate foram, sem sombra de dúvidas, as pratas da casa mais pesadas. Trocadilhos a parte, quem viu o show dessas duas bandas na seqüência com certeza não saiu arrependido. A violência sonora tomou de conta da festa e dos tímpanos da galera. Os da gente estão zunindo até agora, o que não significa que não gostamos, entenderam?!

Fechando em alto estilo, o Matanza [RJ] fez muitos cantarem junto e se esbaldarem numa tremenda roda de pogo, inédita na edição 2007 do Fest. Dosol. O cenário final do Festival Dosol foi bonito de se ver, com o Armazém Hall praticamente lotado, tomado por jovens e adultos entusiastas, em uma comunhão profana coletiva, o “carismático” Jimmy e sua corja de beberrões, prendeu todo mundo até o final, com muita conversa fiada e barulho que divertiu até os mais avessos a banda.

equipe [r]:

Rafael F.
Leandro Menezes
Dimetrius Ferreira
Renata Marques

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Andre Pessego
 

Pessoal, é isto mesmo, é dificil? É. Sempre foi difícil. hoje voces ainda tem quem assite, 5000 aqui, 1000, acolá. Já foi mais difícil, outro dia eu lia alguma coisa sobre Luis Gonzaga. ...
Voces não podem desistir de sonhar o sonho. Quem faz a história é o sonho. um abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 11/8/2007 20:52
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