Jogo no Anhangabaú: minha vez!

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Júlia Tavares · Belo Horizonte, MG
30/6/2006 · 13 · 2
 

Nunca fui obrigada a olhar para uma orelha por 45 minutos seguidos. Tampouco para a careca branca de um rapaz que se mexia muito. Aliás, nunca pensei que levantar as mãos em direção à cabeça fosse um reflexo tão comum. E tão mal-educado, afinal, não leva em conta pessoas baixinhas que estão tentando, de todas as formas possíveis, enxergar um pedaço do telão durante os jogos da Copa em pleno Anhangabaú. Pois é. Em Brasil x Gana, foi a minha vez de matar a curiosidade de fazer parte da massa que aparece feliz da vida nos intervalos by Galvão Bueno.

Cinco minutos antes do início era tudo alegria. Já tinha descolado um cantinho perto da cerca de metal que dividia a multidão composta de brasileiros sem-teto, moradores de rua e trabalhadores que escaparam de bancos e órgãos públicos do Centro de São Paulo. Aliás, muita gente com cara de classe média também dava o ar da graça, como as meninas loiras com blusinhas do Brasil. Um camarote da Brahma no vale lembrava badalação patrocinada de carnaval. Tão Brasil...

Antes do apito inicial, no entanto, uma nova onda de gente encobriu os dois terços inferiores da visão do telão. A cabeça fazendo força para arrumar brechas. “Abaixa a corneta!â€, gritávamos eu e as pessoas menores que 1,60m. Os homens altos ajudaram narrando alguns lances. O gol, por exemplo, foi um grande esforço de imaginação. Só sei que aconteceu porque o povo pulou e estourou rojões – já? Em cinco minutos? E dá-lhe objetos voadores perigosos no ar. Meu deus do céu: precisa lançar copo de cerveja?! Mas logo era jogo de novo, ou melhor, a careca e a orelha. Viro para um casal do outro lado da cerca: dá para ver daí? Dá sim, dizem. Bom, mas não dava pra chegar lá.

Quando abandonei os colegas cabeçudos para ver o segundo tempo em algum boteco, outro gol imaginário. Por sorte me levantaram para espiar o replay. Mas o pescoço estava tenso e os pés, um tanto dormentes. Saio com vários outros desistentes, enquanto um grupo maior entra e passa pela revista. Há sempre brasileiros malucos querendo beber do sentimento BRASIL-SIL-SIL... Certo eles.

"O texto que você acabou de ler faz parte de uma série sugerida e organizada pela comunidade do Overmundo. A idéia é relatar a diversidade de manifestações que ocorrem em torno da Copa do Mundo pelo país afora. A proposta é contar como foi a participação do Brasil no torneio em diferentes locais. Para ler mais relatos sobre o assunto busque pela tag Especial_Copa, no sistema de busca do Overmundo."

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Thiago Camelo
 

Ei Júlia! Bacana o seu texto. Você não quer inclui-lo como um dos textos da nossa pauta coletiva sobre a Copa do Mundo? Tudo o que você precisa fazer é incluir o texto abaixo no final da sua contribuição e preencher o campo de tags com a tag "especial_copa". Abraço!!


"O texto que você acabou de ler faz parte de uma série sugerida e organizada pela comunidade do Overmundo. A idéia é relatar a diversidade de manifestações que ocorrem em torno da Copa do Mundo pelo país afora. A proposta é contar como foi a estréia do Brasil no torneio em diferentes locais. Para ler mais relatos sobre o assunto busque pela tag Especial_Copa, no sistema de busca do Overmundo."

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 28/6/2006 13:37
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Gilvan Costa
 

Oi Julia, muito legal seu texto. É bom ver a visão feminina sobre o futebol, sobretudo, mostrando a dificuldade em conseguir ver o jogo. Afinal, sejam homens ou mulheres, baixinhos ou grandões, todos ficamos meio que inebriados pelo 'calor' da Copa. Parabéns.

Gilvan Costa · Boa Vista, RR 30/6/2006 15:44
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