Leitura Estereotipada

Casa Fora do Eixo Minas
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Phyl D. Martins · Belo Horizonte, MG
29/11/2012 · 8 · 0
 



LEITURA


Ontem (23/11) mais uma edição do Duelo de MCs ferveu outra vez o Viaduto Santa Tereza e reafirmou o peso do evento na agenda cultural de Belo Horizonte. Houveram batalhas de rap freestyle, conduzidas por MC Monge, mestre de cerimônia da ação. O Duelo de MCs ocorre há cinco anos e é atualmente o maior reduto de hip hop de Minas Gerais, e abarca muitos públicos referência na diversidade da cena alternativa. Quase a totalidade de frequentadores desto Duelo seguem linhas foras do padrão da sociedade mineira. Rappers, a galera do funk carioca, skatistas, punks, circences e, até mesmo, evangélicos compõem a plateia segmentada por diferentes estilos e propósitos.

Encontra-se o que se deseja encontrar no Duelo, várias leituras podem ser feitas a partir do ponto de vista e da pretensão do observador. “Todo mundo aqui é favelado”, ponderou Aline, 14 anos, que ainda conta que não gosta de rap e vai ao Duelo de MCs com as amigas apenas para ficar com os rapazes. E completa: “As pessoas enxergam a si mesmas aqui.”

Leandro, 21 anos, imagina que há bastante compreensão entre a diversidade no Viaduto Santa Tereza em noites do Duelo. “Acho importante a interação, todo mundo aqui quer conhecer a cultura do outro”.

BATE-BOLA


“Eu treino malabarismo aqui no Duelo de MCs. E ouço minhas músicas gospeis enquanto eles lançam o freestyle. (o evento) Não tem muito outro signifacado para mim...”, Edson, 19 anos.

“Eu fico triste porque as pessoas poderiam fortalecer o movimento, mas na real não estão nem aí”, MC Monge, no palco.

“Todo mundo se aceita nesse espaço, niguém fica isolado: é tudo muito de boa, eu converso com os skatistas, com roqueiros. É tudo misturado. Aceitação total”, Thais, 17 anos.

“Eu sou fã de punk rock, me visto de forma peculiar, não gosto de rap e as pessoas me olham estranho por eu ser diferente. Não era pra ter discrimação”, Isobeau, 22 anos.

“É massa porque você tem vários pontos pra explorar, eu piro fotografar o Duelo. Sempre é diferente, estão duelando do mesmo jeito, mas diálogo não vai ser o mesmo”, Luiza Guedes, fotógrafa.

“Falar de estética aqui pode ser preconceituoso, porque possibilita conclusões precipitadas. O ser humano vai mais além”, Gabriel, 28 anos, frequentador assíduo.

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