Mar, adentre

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Maria Elisa Macedo · Belo Horizonte, MG
31/5/2007 · 25 · 0
 

Soube dia desses que existe a Síndrome do Pensamento Acelerado. E acho que me enquadro nela. Ao procurar um acontecimento marcante, não achava nada interessante, e em menos de um milésimo de segundo me vinha outra idéia, outra idéia, outra idéia. Enfim, todas falidas. Ora, notícias são novidades! Por que não consigo querer uma para ser minha personagem?! Mas não é bem assim quando acessamos um site ou lemos o jornal. Parece que aquilo que está lá hoje estava lá ontem.
Bom, eis que me deparo com duas notícias que por alguns motivos me chamaram bastante a atenção. A primeiro foi que a NASA encontrou evidências de que existe um mar em Titã, maior lua de Saturno. A segunda foi uma enorme faixa de poeira em uma das luas de Júpiter, Io. Cada vez mais recorrentes, notícias sobre o espaço, planetas, morte de estrelas, explosões solares, são capas de jornais, nos fazendo refletir sobre o fato de não estarmos sozinhos, e de estarmos cada vez mais próximos dessa “novidade antigaâ€, que são os fenômenos e as fantásticas peculiaridades da galáxia. Sempre acreditei que não estávamos sós. Muita pretensão achar que nós terráqueos, somos os únicos. Enfim, as sondas da NASA conseguiram fotos sensacionais dos respectivos planetas e a comunidade científica mais uma vez explode de felicidade. Afinal, foram mais de 10 anos de investimento e intensas pesquisas. Mas há algo que realmente me leva a pensar sobre a sincronia dessas informações: não é a primeira vez que Júpiter e Saturno são vistos juntos.
Caio Fernando Abreu já havia falado dos dois planetas. No conto intitulado “O dia em que Júpiter encontrou Saturnoâ€, o escritor descreve um encontro, no qual o diálogo é o principal atrativo. Entre bizarrices e delírios, o conto é extremamente audacioso e envolvente... uma das manias de Caio Fernando. Para os astrólogos, os planetas exercem uma forte influência sobre nós. Saturno, por exemplo, é responsável pelas mudanças. Já Júpiter representa a expansividade. Há um pouco disso mesmo acontecendo no mundo. É evidente que as mudanças são inerentes, mas não sei até onde está acontecendo a tal expansividade. Cada dia mais vemos o indivualismo tomando conta, as pessoas se fechando em cápsulas, protengendo-se delas mesmo. Entre grades e cercas elétricas, efeitos da ultra modernidade infernal, instalada nas sociedades, os cacos de vidro espalhados nos nossos atos, afastam qualquer possibilidade de troca, de envolvimento. E por que não se envolver? Por que não deixar ser o outro também? Talvez as mudanças precisem disso pra se fazer ser entendidas, e sem sustos.
Hummm, tá aí a explicação para a poeira em Júpiter. Embaçaram a expansividade. A poeira dá alergia, não pode ser varrida para debaixo do tapete. Limpar, deixar fluir se faz necessário. Deixemos a mudança acontecer. Que nos seja dada a possibilidade de sermos nós mesmos. Que possamos ter encontros, sem medo. É mar de gente, é poeira cósmica. É a vontade dos cosmos, são todos ‘esses’ nos ensinando que é bom se envolver e ser.

Maria Elisa Macedo

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